Lindemberg fala pela 1ª vez, admite ter atirado em Eloá e pede perdão

Réu acusado de matar ex-namorada há três anos também diz que não lembra se baleou Nayara, amiga dela; julgamento termina hoje

ADRIANA FERRAZ , ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h04

Três anos e quatro meses após a morte de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, Lindemberg Alves, de 25, quebrou o silêncio. No terceiro dia de júri, o réu confessou ontem ter atirado contra a adolescente após um movimento brusco da parte dela, mas não se lembra do disparo contra Nayara Rodrigues, de 18 anos.

Segundo ele, o tiro contra Eloá foi dado depois que ouviu uma explosão na porta do apartamento em que mantinha a vítima refém havia mais de cem horas, em Santo André, no ABC. Ao ser interrogado, disse ainda que, durante todo o episódio, esteve nervoso, pressionado pela presença da polícia e ainda acreditando em uma suposta traição de Eloá.

Logo no início do interrogatório, Lindemberg se mostrou seguro e pediu perdão à família da vítima. "Entendo a dor da dona Tina (Ana Cristina, mãe de Eloá) e aproveito a oportunidade para pedir perdão por tudo o que aconteceu, em público", disse.

No dia do desfecho, 17 de outubro de 2008, ele relatou ter desconfiado da ação da polícia, que teria evacuado os arredores do prédio e interrompido uma suposta ligação telefônica com uma irmã. Por precaução, colocou uma mesa para bloquear a porta da residência.

A essa altura, Lindemberg diz que se preparava para sair com Eloá e a outra refém, Nayara, então com 15 anos, quando aconteceu a explosão. "Tomei um susto. Vi um movimento da Eloá, para levantar, e atirei sem pensar. Não me lembro quantos tiros, mas acredito que mais de um."

Lindemberg alegou ter interpretado o movimento da vítima como uma possível tentativa de tentar desarmá-lo. Sobre o tiro contra Nayara, não nega nem confessa. O acusado repetiu várias vezes durante o depoimento o quanto ficou impressionado com a chegada da polícia. "Eu olhava pela janela e só tinha viatura." O rapaz também falou por mais de uma vez ter se assustado ao ser lembrado por Eloá do caso do ônibus 174, no Rio, em 2000, quando policiais mataram uma refém por engano e depois teriam assassinado o suspeito. Ainda afirmou ter havido quebra de confiança por parte da PM, quando um policial teria mexido na maçaneta da porta.

A respeito das frequentes ameaças de matar as vítimas gravadas pela Polícia Militar durante a negociação, Lindemberg se limitou a dizer que se tratava de blefe. No final, o réu voltou a pedir perdão à família de Eloá.

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