Limite de municípios divide casa ao meio

Numa ponta do balcão da casa de materiais de construção de Adimilson Antunes (foto), no Jardim Novo Mundo, fica o telefone com prefixo de Sorocaba. Na outra, o aparelho com código de Votorantim. O limite entre as cidades corta ao meio o estabelecimento.

, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2010 | 00h00

"Da coluna para lá é Votorantim, do lado de cá é Sorocaba", diz Vera, mulher do comerciante. A confusão é decorrente da conurbação entre as duas cidades. O bairro se formou num loteamento irregular que não respeitou as divisas. Sobrou para os moradores. O casal reclama que o lixeiro de Votorantim não passa alegando que a rua é de Sorocaba. "O lixo fica acumulado", diz Vera.

Na dúvida sobre as obrigações, as duas cidades deixam de sinalizar as ruas, cada vez mais movimentadas. Antunes diz que os acidentes são tantos que instalou barras de ferro na calçada para proteger seu imóvel.

Na casa do aposentado Vítor Augusto da Silva, de 70 anos, a situação é pior: o limite corta a casa ao meio. "Toda vez que preciso ir ao banheiro, viajo para Votorantim." Apesar de a maior parte do bairro pertencer a esse municípi os moradores se sentem ligados a Sorocaba. "O centro fica mais perto, tem ônibus fácil e o posto de saúde é melhor", diz Silva.

Arrecadação. A urbanização sobre a linha de divisa criou problemas entre as duas prefeituras. A de Votorantim apurou que 72% das 240 lojas do principal shopping de Sorocaba estão em seu território. Os comerciantes foram notificados para alterar o recolhimento dos impostos.

Com base em certidões do Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado, Votorantim requereu também parte dos impostos de outros estabelecimentos que estão sobre a divisória, entre eles um hipermercado atacadista e uma indústria.

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