Liminar judicial barra protestos na Ceagesp

Juiz permite uso da 'força policial' para garantir entrada de caminhões; prejuízo chega a R$ 21 mi

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

30 Março 2012 | 03h06

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) conseguiu na Justiça uma liminar de reintegração de posse para evitar manifestações de sindicalistas em suas dependências e, com isso, acabou com a paralisação dos comerciantes. O protesto, que durou um dia e meio, impediu a entrada de grande número de caminhões no entreposto e resultou em prejuízo de pelo menos R$ 21 milhões.

Motoristas e vendedores são contra a cobrança de uma taxa de permanência de automóveis e caminhões na Ceagesp, que eles chamam de "pedágio". De acordo com a tabela apresentada por edital, carros vão pagar R$ 6 pela primeira hora; caminhões de dois eixos, R$ 4 nas quatro primeiras horas, R$ 10 por 10 horas e R$ 50 a diária. Os caminhões maiores terão de pagar taxa de R$ 60.

A Ceagesp e os representantes de sindicatos acordaram que o edital vai ficar suspenso por 15 dias, prorrogáveis por mais 15, para que diversos pontos sejam repensados - incluindo uma possível exceção para os vendedores de flores, que usam o caminhão não para descarregar, mas como ponto de venda.

O acordo já havia sido feito verbalmente na terça. Ontem, porém, os permissionários assinaram um termo de compromisso com a Ceagesp para suspender as manifestações. Alguns setores já voltaram ao trabalho.

Hoje, a promessa é de movimento normal - caso manifestantes impeçam a entrada de caminhões e compradores, como aconteceu ontem, a liminar do juiz Julio César Silva de Mendonça Franco requisita a "força policial necessária" e autoriza o arrombamento dos portões, "se necessário". A Polícia Militar ontem conteve os manifestantes do lado de fora, mas não conseguiu entrar no entreposto.

Abastecimento. Mercados pequenos e feiras foram afetados pela paralisação - itens de hortifrúti chegaram a faltar, mas de "maneira pontual", segundo a Associação Paulista de Supermercados. "Tivemos relatos de problemas em toda a cidade, em mercados menores", diz o diretor comercial da entidade, Martinho Paiva Moreira. Alguns tiveram de ir buscar frutas e verduras direto dos produtores ou compraram no Mercado Municipal de São Paulo.

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