Ligação seca é prometida há 50 anos

Ninguém nega importância da obra, mas, além do alto investimento, projeto tem de contornar uma série de dificuldades técnicas

Paulo Saldaña e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

Uma solução para a ligação seca entre Santos e Guarujá é prometida há cinco décadas. Nesse período, foram apresentados projetos de túneis, pontes e até uma maquete de ponte estaiada, que chegou a ser inaugurada no fim do ano passado. Embora ninguém negue a importância da obra para a população e a economia, a justificativa para tanta demora é que o projeto envolve alto investimento e dificuldades técnicas.

Uma ponte no canal seria um entrave por causa da altura. Para não interferir na atividade do Porto de Santos, o gabarito (altura entre o nível da água e o início da ponte) tem de ter no mínimo 80 metros. Isso levando em conta apenas os navios que atualmente atracam no local. Até 2024, o porto planeja aumentar em quase 150% sua capacidade.

A proposta da ponte estaiada, que teve maquete inaugurada pelo ex-governador José Serra (PSDB) no ano passado, foi descartada porque, para chegar a esse nível, deveria ter uma grande inclinação, o que inviabilizaria o tráfego de caminhões. Também impactaria uma área muito grande nas cidades.

O diretor de infraestrutura da Companhia Docas, Paulino Moreira da Silva Vicente, diz que é a favor do túnel pré-moldado, mas ainda espera uma discussão maior sobre a localização da travessia. "A gente estuda o melhor ponto entre as duas margens há dez anos. Até agora, a melhor opção é no fim da Anchieta."

Esse ponto, longe da entrada do canal, não é visto com bons olhos por fontes do governo ouvidas pela reportagem. Fica muito longe e não será atrativa para os carros das cidades. Esse foi o motivo para descartar o projeto de uma ponte planejada pela concessionária Ecovias.

Base aérea. Uma ponte muito alta ou de modelo estaiado também está praticamente descartada, por interferir nos planos de construção de um aeroporto comercial na Baixada Santista. "Uma ponte muito alta não inviabiliza, mas dificulta bastante o projeto para transformar parte da Base Aérea do Guarujá em aeroporto, que já está bem adiantado", disse o secretário de Estado do Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido. "Um caminhão hoje precisa percorrer 43 quilômetros para chegar ao outro lado e o canal tem só 400 metros", completa Aparecido.

A prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), também se preocupa com a localização. "Não queremos um trânsito de veículos pesados na cidade. Isso não vamos aceitar." A prefeita ressalta que agora não é discutir se haverá a ligação, mas apenas o modelo. "A população não aguenta mais promessas." O prefeito de Santos preferiu não se pronunciar.

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