Ligação entre atos e políticos pode levar a CPI

O líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), vai coletar assinaturas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) conjunta de Câmara e Senado para investigar a relação de vândalos infiltrados em protestos com partidos políticos. A iniciativa tem como base a declaração do auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza, preso pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, de que algumas pessoas receberiam dinheiro para participar de protestos.

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2014 | 02h08

"A dúvida que a sociedade quer ver esclarecida é quais são os diretórios regionais e partidos políticos ou parlamentares que estão por trás disso tudo", diz Cunha. "Precisamos urgentemente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para que possamos investigar esse tipo de situação", complementa.

Em seu depoimento à polícia, Caio citou o PSOL e o PSTU, além da Frente Independente Popular (FIP), como organizações que fariam os pagamentos. O pagamento seria de R$ 150 por participante, para criar tumultos. Os partidos negam apoiar quaisquer atos que tenham a violência como foco.

A proposta de Eduardo Cunha tem boas chances de avançar, porque tiraria os políticos tradicionais da defensiva no debate sobre manifestações de rua.

No caso do Rio, por exemplo, o governador Sérgio Cabral, correligionário de Cunha, é um dos principais alvos dos protestos. Na Câmara dos Deputados, petistas acompanham com atenção as denúncias de interesses políticos nas manifestações por entender que um debate nesta direção pode retirar a força dos protestos durante a Copa do Mundo e evitar danos à presidente Dilma Rousseff no ano em que tentará a reeleição.

CPI do black bloc. Parlamentares ligados às polícias também apoiam a ideia. O deputado Fernando Francischini, líder do Solidariedade e delegado da Polícia Federal, ainda defende a "CPI do black bloc" e anunciou que vai coletar assinaturas na Câmara. No caso de uma CPI só de deputados, no entanto, seria necessário aguardar a fila para a instalação, enquanto uma CPI mista, incluindo o Senado, teria instalação automática.

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