Liga e Brahma brigam por metragem de camarote

Sambistas alegam que área é irregular, mas empresa nega; polícia investiga ainda denúncia de confronto amanhã

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2013 | 02h06

Onze dias antes de entrar na avenida, cinco escolas de samba da capital foram ontem parar na delegacia. Em meio a denúncias de brigas entre integrantes das agremiações e ameaças a operários que trabalham na montagem do sambódromo, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo criou polêmica ao afirmar que o camarote da Brahma está vendendo mais ingressos do que o combinado em contrato.

A empresa que organiza o camarote garante que o número de convidados está dentro do permitido. Disse ainda que está com a documentação em dia e que a construção foi aprovada pela SPTuris. A Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur) informou que vai abrir inquérito para apurar a denúncia. Um ofício será encaminhado hoje para o Departamento de Controle Urbano (Contru), da Prefeitura.

A confusão começou no sábado. Integrantes das escolas de samba Vai-Vai, Mancha Verde e Unidos da Vila Maria pediram para funcionários do camarote pararem de montar uma tenda localizada debaixo da arquibancada do Setor J. "O camarote avançou em uma área que não estava prevista no contrato que a Liga tem com eles. Por isso, pedimos para parar", disse Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Liga e da Unidos da Vila Maria.

Ferreira diz que o acordo previa espaço para 2.240 pessoas. A estrutura do camarote, porém, prevê receber 5 mil. O camarote da Brahma informou que, neste ano, adquiriu da Ingresso Fácil, responsável pela venda de tíquetes do carnaval, a arquibancada do Setor J, onde caberiam cerca de mil pessoas. No ano passado, sem a arquibancada, 4 mil espectadores assistiram aos desfiles no espaço. A tenda localizada sob a arquibancada, cuja construção a Liga barrou, tem o objetivo de "aumentar o espaço protegido contra chuva", diz a empresa.

"Se ano passado 4 mil pessoas estavam no camarote, comemos bola. Não podemos fazer isso de novo. A tenda está fechando rotas de fuga e banheiros", afirmou Ferreira. O presidente da Liga disse esperar que o Contru faça vistoria no local, para aferir quantas pessoas o camarote pode receber. O órgão confirmou que é de sua competência autorizar este tipo de evento, mas não disse quando fará a inspeção.

Briga. Presidentes de escolas de samba foram à Deatur ontem para falar também sobre a suspeita de que uma briga entre passistas da Mocidade Alegre e da Rosas de Ouro está marcada para amanhã. "Nosso serviço de inteligência recebeu informações de que integrantes das agremiações estariam combinando brigar no próximo ensaio", afirmou o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Deatur. A presidente da Mocidade, Solange Cruz Bichara, disse não saber de onde veio a denúncia. "Estamos aqui para fazer uma festa." Ao lado de Angelina Basílio, presidente da Rosas, ela afirmou que integrantes das duas escolas vão se confraternizar amanhã.

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