Líder 'queria uma Disney com música'

Chefona do Rock in Rio, Roberta Medina faz planos para o festival e conta como tudo começou, em um passeio no shopping

PAULO SAMPAIO , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2011 | 03h03

Demorou, mas a vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, finalmente revelou aquilo que todo mundo já suspeitava: "Por mim, o festival seria a Disney com um show dentro". Deu quase certo. Ninguém pode negar que a Cidade do Rock tem um pouco de Disney e um pouco de show.

Numa entrevista exclusiva ao Estado, Roberta, de 33 anos, contou ainda que dificilmente frequentaria o festival que ela mesma produz. "Adoro imaginar a estrutura, tirar a ideia do papel, saber que tantas pessoas estão ali, curtindo, mas não me convide para ir lá para o meio."

A carreira começou quando ainda era adolescente e foi com o pai, o publicitário Roberto Medina, presidente do Rock in Rio, dar um passeio no Barra Shopping. "A gente encontrou o gerente de Marketing do shopping, e ele começou a falar de um show que estava produzindo na época do Natal com personagens da Disney. Comecei a me meter na conversa, e ele me convidou para trabalhar. Achei que era só para agradar ao meu pai. Uma semana depois, ele ligou pra minha casa para me perguntar se eu ia ou não. Ninguém me convida duas vezes para trabalhar com o Mickey", afirma ela.

Depois de ajudar a produzir a internacionalmente famosa árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, ela a replicou em Lisboa, no Porto, em Varsóvia e em Bucareste. Produziu o Rock in Rio na Espanha e em Portugal, onde mora atualmente e tem status de celebridade. "Ela participou do júri do programa Ídolos. Em Lisboa, dá até autógrafo na rua", diz a assessora de imprensa do festival, Beth Garcia.

Cabelos escuros, pele muito branca e dentes alvos, Roberta seria um misto de Ana Paula Padrão com Angélica. Da primeira, tem o colorido. Da segunda, a mesma simpatia eficiente. Ao falar do lado "do bem" do Rock in Rio, das doações de instrumentos musicais revertidos para a população carente, Roberta pontua suas boas intenções com sorrisos televisivos.

"Quando coloco na cabeça que alguma coisa vai dar certo, pode esperar, que eu chego lá", afirma ela, mirando com a mão um ponto invisível à frente e acima.

Percebe-se, na conversa com ela, que nada é impossível.

"Gosto de ter sonhos e realizá-los", diz ela, coerente com seus princípios disneylandianos. "Por exemplo, tá vendo isso aqui (ela mostra uma miniatura de lixeira alaranjada): eu coloco dois olhinhos, uma boca, um nariz e começo a ter um sentimento por 'ela'."

Isso tudo ela vai dizendo com inegável orgulho de si mesma. "Se o 'presidente' da China me chamar para conversar amanhã, pego um avião e vou."

Roberta fala de si como se fosse um personagem. Chama o pai pelo nome ("só quando é profissionalmente"), diz que dorme quatro horas por dia e solta frases de comédia romântica como "Sabe como eu fiz para me tornar menos workaholic? Comprei um cachorro. Veio antes do marido..."

Há cerca de um ano e meio ela se casou com o português Ricardo Acto, de 33 anos, que, claro, trabalha no RR como coordenador de operações. "A gente já se conhecia desde 2007. Quando ele me apareceu na frente, mandei-o montar uma árvore de Natal em Bucareste", lembra.

E de música, você gosta? "Como assim? Claro! De Shakira a heavy metal. Não consigo gostar do funk mais recente, porque não acho muita graça naquelas baixarias, nem de música clássica. Acho que não sou evoluída o suficiente", afirma, sem aparentar que, de fato, acredita no que acaba de dizer.

No interior do contêiner que funciona como escritório no espaço da produção, a grama de plástico verdinha lá fora, o ar condicionado geladinho dentro, Roberta toma uma Coca Zero enquanto reafirma que é uma pessoa simplíssima. "Comigo é básico, frescura zero", acrescenta ela.

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