Líder no combate ao Ebola na África é infectado

Principal médico na campanha contra a epidemia em Serra Leoa, Sheik Humarr Khan é a nova vítima do surto que já matou 632 pessoas neste ano

O Estado de S.Paulo

24 Julho 2014 | 02h04

O principal médico na luta contra o vírus Ebola em Serra Leoa, Sheik Humarr Khan, foi infectado com a doença, segundo o governo local. O especialista de 39 anos foi transferido para tratamento em uma unidade da ONG Médicos Sem Fronteiras no leste do país africano.

Considerado um "herói nacional" pelas autoridades de Serra Leoa, Khan já tratou dezenas de vítimas da doença, que mata cerca de 90% dos infectados. A epidemia começou em fevereiro, em uma região remota do sudeste do Guiné, e se espalhou também pela Libéria e por Serra Leoa, na África Ocidental, Em um dos maiores surtos já registrados no continente, 632 pessoas morreram.

Na última semana, três enfermeiros do mesmo centro de tratamento onde Khan atuava morreram vítimas da infecção. A suspeita é de que ele tenha contraído o vírus durante o trabalho, apesar do uso de máscara e roupas de proteção.

Dezenas de enfermeiras do centro fizeram greve nesta semana por causa da morte dos colegas. O grupo reivindica transferência para um local isolado do risco de contaminação. A Organização Mundial da Saúde informou que cerca de cem trabalhadores de saúde foram infectados pelo vírus nos três países e metade não resistiu.

A ministra da Saúde de Serra Leoa, Miatta Kargbo, lamentou a notícia. "Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que Khan sobreviva", disse a agências internacionais. Miatta disse que a epidemia é um problema sério, mas ainda não decretou estado de emergência.

Críticas. Entidades religiosas criticaram a lentidão do governo para garantir recursos às comunidades rurais onde houve surtos. Na Libéria, manifestantes atearam fogo na sede do Ministério da Saúde para protestar contra a falta de controle da epidemia. Também neste mês o Ebola matou o experiente médico ugandês Samuel Muhumuza Mutoro, que tratou de pacientes infectados na Libéria.

A doença tropical, surgida em regiões da República Democrática do Congo e do Sudão em 1976, não tem cura nem vacina. Os sintomas são diarreia, vômitos e hemorragias, internas e externas. / REUTERS e AP

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