Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Líder do MTST teme uso eleitoral de manifestações

Após protestos em cinco pontos da capital paulista, Guilherme Boulos criticou os partidos oposicionistas PSDB e PSB que, segundo ele, 'têm tentado surfar na onda das mobilizações'

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 15h59

Atualizado às 16h50 - São Paulo - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) - que afirma ser apartidário- disse temer uso eleitoral das manifestações das últimas semanas."O risco de uso eleitoral que nós estamos vendo nesses protestos é pelos setores conservadores do País, de grandes partidos como PSDB e PSB que têm tentado surfar na onda das mobilizações com um discurso que 'não cola'. O que o candidato Aécio Neves tem defendido e o Eduardo Campos tem defendido vai na completa contramão das nossas reivindicações", disse Guilherme Boulous, um dos líderes do movimento, durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta feira, 15.

"O receio que nós temos é que as manifestações sejam utilizadas por esses setores mais conservadores que não nos representam e representam um projeto atrasado na nossa opinião".Questionado se o discurso do PT atenderia as reivindicações,  Boulous disse que há diferenças até mesmo numéricas entre o governo atual e o anterior, mas que atualmente nenhum governo está comprometido com as reivindicações dos trabalhadores.

"O MTST tem uma completa autonomia em relação a partidos e governos.  E não se contempla pelo discurso do PT, do PSDB nem pelo discurso do Eduardo Campos. O MTST tem a sua posição própria e hoje nós entendemos que nenhum governo no País está efetivamente comprometido com o atendimento das reivindicações dos trabalhadores". Mais cedo, Boulos chegou a admitir que podem ser realizados atos em defesa da moradia durante a Copa do Mundo.

Novo protesto. O próximo ato do MTST está marcado para o dia 22 de maio e pretende reunir entre 15 mil e 20 mil pessoas na próxima quinta. Diferente dos atos desta semana e de quinta-feira passada, a ideia é que seja um ato público que deve ser divulgado a partir de segunda-feira para a população.

O movimento estima que tenha reunido 6 mil pessoas nos cinco diferentes atos que aconteceram simultaneamente na cidade. Os locais escolhidos foram Radial Leste, em frente ao Itaquerão; na Marginal Pinheiros perto da Ponte João Dias; na Marginal Tietê próximo à Ponte Estaiadinha; na Avenida Giovana Gronchi, perto do Shopping Jardim Sul; e na região da Ponte do Socorro. Em alguns pontos, pneus foram queimados, mas não foram registrados incidentes mais graves.

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