Líder do AfroReggae acusa pastor de tramar sua morte

José Júnior afirma que Marcos Pereira, conhecido mediador, até incitou ataques de traficantes; pastor nega

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h04

A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio abriu inquérito ontem para apurar as denúncias do coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, contra o pastor Marcos Pereira, líder da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Os dois atuam como mediadores, tentando convencer criminosos a mudar de vida. Tanto o AfroReggae quanto a igreja promovem atividades de assistência social.

O ativista acusa o pastor de tramar sua morte, de ameaçar um ex-pastor que hoje integra o AfroReggae, de tentar desmoralizar a ONG, de ter incitado os ataques de traficantes no Rio no fim de 2006 e em 2010, quando as forças de segurança ocuparam o Complexo do Alemão, e até de abuso sexual.

As acusações foram feitas durante coletiva concedida por José Júnior na Assembleia Legislativa do Rio, onde se reuniu com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania. José Júnior afirmou que dispõe de até dez testemunhas capazes de comprovar as articulações criminosas do pastor.

Segundo o líder do AfroReggae, ao estimular ataques e rebeliões nas quais acaba atuando como mediador, o pastor Marcos ganha destaque e amplia sua influência política.

Conforme José Júnior, um ex-pastor e atual mediador do AfroReggae, Rogério Menezes, é ameaçado de morte desde 2009, quando deixou a igreja de Pereira. O próprio Júnior já teria sido ameaçado de morte, segundo contou, por traficantes influenciados pelo pastor. Júnior afirmou ainda que, caso sejam encontradas drogas ou armas na sede do AfroReggae, será uma armadilha preparada pelo pastor para desmoralizar a entidade.

Indignação. Em nota, o pastor afirmou que recebeu "com surpresa e indignação" as denúncias. "As acusações que contra mim são feitas, graves e que agridem a minha honra pessoal, a imagem da Igreja que presido e sobretudo a obra que realizamos ao longo de 20 anos, precisam ser investigadas (...) para que a verdade aflore e esta farsa forjada pelo meu acusador, cujo objetivo, me parece, é tão somente o de autopromoção, seja desmontada", afirma a nota. "Trabalhar com criminosos visando a sua recuperação é diferente de se envolver com criminosos, e esta fronteira eu nunca ultrapassei. (...) Recorrerei à Justiça dos homens, para a reparação devida. Quanto à Justiça de Deus, não tenho dúvida de que será feita."

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