Líder de multinacional tem prisão decretada por plano de morte

Gerente da mesma empresa saberia de esquema de estelionato envolvendo executivos e, por isso, seria morto

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

10 de dezembro de 2007 | 18h56

A Polícia Civil de Taubaté pediu a prisão temporária do presidente mundial da Pelzer, Martin Kusmann, e do executivo Michael Lince. Os dois alemães, segundo a polícia, teriam participado da reunião, realizada há cerca de quinze dias, em um hotel em Guarulhos, onde se planejava a morte do gerente geral da empresa, Toshio Nakamoto.   "Eles participaram da conversa e por este motivo pedimos a prisão deles. O pedido é feito para a Polícia Federal e eles serão detidos se entrarem no País", informou o delegado responsável pelo caso, Marcelo Duarte, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Taubaté.   O plano foi denunciado na última sexta-feira. No mesmo dia o presidente da unidade em Taubaté e dois diretores foram presos acusados de formação de quadrilha e estelionato. De acordo com as investigações, os três presos estavam planejando, com o conhecimento dos dois executivos da Alemanha, a morte de Toshio Nakamoto. A principal hipótese investigada pela polícia é que os executivos estariam vendendo pára-choques para as montadoras sem as especificações exigidas em contrato.   Nakamoto, segundo a policia, saberia do esquema de estelionato e, por isso, seria vítima de um homicídio. "Mas no Brasil não existe lei para punir os crimes que não foram praticados, que ficaram apenas no planejamento". Os advogados de defesa dos executivos conseguiram, no mesmo dia, o relaxamento da prisão e os três foram soltos.   Nesta segunda-feira, 10, Nakamoto estava na empresa, que continua funcionando normalmente. A Pelzer é fornecedora de pára-choques para a Volkswagen. "Eu prefiro não dizer mais nada, fui instruído pelo meu advogado", informou por telefone, desligando em seguida. Os três acusados estão afastados das funções na empresa. Ninguém na empresa iria se pronunciar em nome da Pelzer, segundo informou Nakamoto. "Não temos assessoria de imprensa e a empresa não vai falar nada".   O denunciante, que receberia R$ 450 mil para encomendar a morte de Toshio. Parte desta quantia, R$ 250 mil, chegou a ser paga. Os comprovantes e uma cópia da fita com as gravações das negociações foram entregues à polícia.   Parte do material usado na fabricação de pára-choques também foi encaminhada à perícia. "A comprovação da alteração na matéria-prima pode ser a prova de que o plano existia mesmo". Na próxima quarta-feira a polícia vai reaver esse dinheiro, que será depositado judicialmente.

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