Líder de bombeiros está em greve de fome

Informação foi dada pela mulher de Benevenuto Daciolo, flagrado em escutas e preso desde quarta-feira em Bangu 1

RIO, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h02

O cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, preso desde quarta-feira, está em greve de fome. A informação foi dada pela mulher dele, a dona de casa Cristiane Daciolo (na foto ao lado). Ela contou que foi avisada pelo defensor público que o representa. Desde que chegou a Bangu 1, Daciolo teria recusado as refeições servidas no presídio de segurança máxima. Cristiane disse não saber como está a saúde do marido, porque teve só um encontro com ele, de 15 minutos, na quinta.

Cristiane ainda refutou as acusações de que o movimento de greve está sendo manipulado politicamente. "Ele (Daciolo) não está envolvido com política, não está filiado a partido algum. Partidos políticos apoiam o movimento, mas o movimento não está com nenhum partido."

Sobre as declarações de Daciolo, de que recusaria qualquer aumento oferecido pelo governo e os bombeiros luta-riam pela saída do governador Sérgio Cabral, ela disse que o marido foi motivado pelo "calor da hora". "Você já tropeçou e falou palavrão? Foi a mesma coisa. Era conversa fechada entre bombeiros. Ele se exaltou".

A afirmação polêmica, que alimenta os rumores de que a greve atenderia a interesses políticos de adversários de Cabral, foi feita em uma reunião em setembro do ano passado. As imagens foram postadas no blog SOS Bombeiros e reproduzidas no sábado pela Rede Globo.

Na ocasião, o movimento pleiteava piso salarial de R$ 2 mil - agora, a exigência é de R$ 3.500. "Se amanhã o governador falar assim: 'Não dá R$ 2 mil para eles não, dá R$ 4 mil, o que nós vamos dizer? Fora, Cabral! Fora, Cabral!", disse Daciolo na ocasião.

Para a deputada Janira Rocha (PSOL), esse tipo de manifestação demonstra a "espontaneidade do movimento". "Se existisse articulação política, não haveria manifestação em Copacabana no momento de refluxo do movimento nem palavra de ordem como "Fora, Cabral". Isso demonstra o nível de tensão com o governo, que naquele momento não os recebia". / C.T.

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