Líder cresceu em ocupações e mantém trajetória dos pais

Aos 29 anos, Welita Caetano mora em ocupações desde os 9. "Lembro até hoje o dia que meus pais fizeram as malas e tivemos de sair de uma pensão ao lado da rodoviária para morar no albergue do Viaduto Pedroso", diz a jovem, que veio para a capital paulista com a família de Anápolis, no interior de Goiás.

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2014 | 02h01

Ela é formada em Administração de Empresas e estuda Direito. Hoje, a líder do Movimento Moradia Para Todos (MMPT) ajuda a coordenar sete ocupações no centro. Entre elas, a da Rua Marconi, que será transformada em moradia.

O MMPT foi criado no fim dos anos 1980 e é um dos precursores dos movimentos de moradia na capital. Muitos filhos que viram seus pais comandarem invasões de terrenos em extremos da periferia, na gestão Luiza Erundina (1989-1992), hoje lideram ocupações no centro. É o caso de Welita, casada com o cineasta italiano Manuel Moruzzi, que deixou Bologna há cinco anos fascinado pela organização dos sem-teto.

Mãe de um bebê de sete meses, a líder mora em um apartamento da ocupação Marconi desde outubro de 2012.

Nas ocupações do MMPT a taxa de manutenção cobrada dos moradores é de R$ 30 semanais. Todos os pais devem manter os filhos matriculados nas escolas. Qualquer briga ou preconceito resulta na expulsão imediata da ocupação.

"Nós somos apartidários. Mas não queremos derrubar qualquer governo. Queremos construir juntos", resume a liderança. /D.Z.

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