Líder comunitário da Favela da Rocinha é morto com 5 tiros

Acusado de ser comparsa do traficante Nem, Feijão seria julgado em maio por associação para o tráfico

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h41

O presidente da Associação de Moradores do Bairro Barcelos, uma das entidades comunitárias da Rocinha, Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, de 41 anos, foi executado ontem com cinco tiros. O crime aconteceu por volta das 15h45 na favela, que fica em São Conrado, zona sul do Rio.

Feijão manobrava uma moto quando um homem, também de moto, disparou e fugiu. Segundo testemunhas, o assassino esteve na entidade à procura de Feijão, que estava em reunião. O homem saiu do local, mas ficou à espera da vítima na Rua Ápia, uma das principais da comunidade, a 50 metros dali, onde aconteceu o crime. Atingido pelas costas, o líder comunitário morreu na hora.

Acusado de ser comparsa do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso em novembro, Feijão seria julgado em maio por associação para o tráfico. Investigação da Polícia Civil indicou que Feijão era dono de um lava-rápido e de uma distribuidora de gelo usados para tornar lícito o dinheiro do tráfico.

Nesse processo, além do líder comunitário, são acusados o próprio Nem, a sogra dele, Maria das Graças Rangel, e o irmão de Feijão, Telmo de Oliveira Barros, sócio nas duas empresas. O grupo é acusado de movimentar cerca de R$ 1,2 milhão supostamente oriundos do tráfico por meio de 29 contas bancárias.

Prisão. Em novembro passado, quando a Rocinha foi ocupada pela polícia, Feijão chegou a ser detido por causa de uma ordem de prisão emitida durante as investigações sobre lavagem de dinheiro, mas o líder comunitário logo foi solto porque se constatou que o mandado de prisão havia sido revogado.

Em agosto de 2010, quando dez traficantes em fuga da Rocinha invadiram o Hotel Intercontinental, na zona sul, e renderam 35 pessoas, Feijão participou das negociações que resultaram na libertação dos reféns e na prisão dos criminosos.

Apuração. A Polícia Civil agora investiga o assassinato de ontem. A polícia ocupa a Rocinha desde novembro, mas por enquanto não há data prevista para instalação de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A tensão aumentou nas últimas semanas.

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