Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Liberdade: onde São Paulo é mais oriental

O que fazer nesse bairro tão peculiar e cheio de restaurantes, perfumarias e lojas de produtos importados (de comidas a porcelanas pintadas à mão)

O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2015 | 16h57

Ainda que localizado no distrito da Sé, bem no centro da cidade de São Paulo, a Liberdade é o mais oriental dos bairros paulistanos. Com pouco mais de 69 mil moradores, concentra uma população expressiva de nativos e descendentes de japoneses, chineses e coreanos. 

A fim de explorar os 3,7 quilômetros quadrados ocupados principalmente por inúmeras lojinhas, mercadinhos, galerias, bares e restaurantes, quem chega à Liberdade dificilmente fica indiferente ao impacto visual: lanternas ao estilo japonês decoram as ruas principais, e os letreiros dos comércios, muitas vezes, são escritos em ideogramas. 

Bom programa para apreciar a mistura brasileira e oriental, trata-se de um bairro repleto de peculiaridades. é fácil de alcançar par que escolhe usar o metrô (Liberdade e São Joaquim).

Comes e bebes

Restaurantes: os melhores lugares para comer e beber costumam ter fila. Além disso, o pouco espaço é quase que uma regra não escrita na Liberdade. Os restaurantes são, em geral, pequenos. Uma recomendação importante é verificar os horários antes de sair de casa, porque eles são menos elásticos – em boa parte das casas o almoço acaba às 14h e o jantar não passa das 21h ou 22h. 

Entre os destaques da vasta oferta de japoneses figuram o Ban, comandado por Masanobu Haraguchi (que já trabalhou no Shintori, no Jardim Paulista), o Hinodê, um dos mais antigos do Brasil, aberto em 1966, e o Sushi Yassu. Eles estão, respectivamente, nos números 18, 62 e 152 da Rua Tomás Gonzaga.  No Sendai, a pedida é o teishoku (uma espécie de prato feito). Endereço: rua da Glória, 148. Também está sempre cheio o Sushi Lika (R. dos Estudantes, 152). O Espaço Kazu (R. Tomás Gonzaga, 84) abriga a rede de fast-food GoGo Curry, o Kazu Sake Emporium, que vende garrafas de saquê, e o bar Izakaya Kazu. 

A culinária japonesa vai, mesmo, muito além do estilo minimalista e dos cortes mais delicados de sushi e sashimi. Um exemplo é o lámen, macarrão ondulado geralmente cozido em caldo de porco e que costuma ser oferecido em casas especializadas (para saber mais sobre o prato, uma dica é o filme Tampopo – os brutos também comem espaguete). Na Liberdade, ele (o lámen) é a principal atração do Lamen Kazu (R. Tomás Gonzaga, 51) e do Aska (Rua Galvão Bueno, 466). 

Fora do circuito japonês, o chinês Taizan (R. Galvão Bueno, 554) tem gostosos rolinhos primavera ao molho agridoce além de outros pratos tradicionais. No bom e barato Rong He (R. da Glória, 622) fazem bastante sucesso o frango xadrez e o porco empanado. Para saborear o churrasco coreano, vale esticar até a Aclimação, no Lua Palace (Av. Armando Ferrentini, 182)

Pão e pastel: merecem a visita são a padaria Itiriki (R. dos Estudantes, 24), que vende pães e doces orientais, e a pastelaria Yoka (R. dos Estudante, 37). 

Bares: izakayas são botecos em que se vai para beber saquê, cerveja e comer petiscos típicos. Bons representantes da “botecagem nipônica” na Liberdade são o Izakaya Issa, pioneiro do estilo na cidade, aberto em 2009 (R. Barão de Iguape, 89), o Izakayada (Pça. Carlos Gomes, 61A), o Kabura (R. Galvão Bueno, 346), que não aceita cartão, e o Kintarô (R. Tomás Gonzaga, 57). 

Bem populares, há uma profusão de karaokês. Um dos mais conhecidos é o Porque Sim (R. Tomás Gonzaga, 75), que funciona também como bar e restaurante. O Samurai (R. da Glória, 608) existe desde 1969. No Kampai Karaokê Box (Av. Liberdade, 638), há espaços reservados para apresentações entre amigos. Sempre apinhada de gente, a Choperia Liberdade (R. da Glória, 523) tem mesa de sinuca. 

Compras: são centenas de lojas e galerias que vendem comida (mini supermercados japoneses), presentes, louças e outros objetos para a casa, papelarias, produtos de beleza e relacionados à cultura pop. A Ikesaki (R. Galvão Bueno, 37), por exemplo, tem cosméticos e acessórios. A Audrey (R. Galvão Bueno, 69) também, sobretudo maquiagens. Na galeria Sogo Plaza (R. Galvão Bueno, 40), predominam lojas temáticas de animação e quadrinhos. As livrarias Fonomag (R. da Glória, 242) e Sol (Pça. da Liberdade, 153) vendem livros e revistas feitos no Japão, além de artigos de papelaria. Nos números 54, 152 e 160 da Galvão Bueno ficam, respectivamente, as lojas Hime-Ya (decoração e presentes) e Gigi (decoração, presentes, papelaria etc.) e a mercearia Banri (junto ao restaurante, vende comidas típicas).

Passeios

Capela dos Aflitos (R. dos Aflitos, 70): a pequena capela fica no final de um beco e seria assombrada pelos espíritos dos que ali foram enterrados. No local existia um cemitério onde eram sepultados os condenados executados no largo da Forca eram sepultados, além de pobres, indigentes e não católicos. Lendas à parte, trata-se de uma construção histórica, do século XVIII.

Capela Santa Cruz dos Enforcados (Av. da Liberdade, 238): conhecida também Capela das Almas, também tem ligação com "Chaguinha". Diz que foi ali que o poder público o executou após a tentativa de rebelião. A capela data de 1891. É comum que fiéis utilizem o velário para acender velas para as almas.

Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (R. São Joaquim, 381): a imigração japonesa no Brasil começou em 1908, quando o navio Kasato Maru ancorou trazendo os primeiros imigrantes para a América do Sul. Essa rica história pode ser vista no museu, que possui mais de 97 mil itens, entre fotos, filmes, utensílios domésticos e quimonos. Funciona de terça a domingo, das 13h30 às 17h. Ingressos a R$ 8,00. 

Praça da Liberdade: é onde está localizada a estação Liberdade do metrô e ponto de saída para as ruas Galvão Bueno e dos Estudantes. Fica lotada no fim de semana, por causa da Feira da Liberdade, atração típica do bairro que reúne barracas de comida e artesanato. Até 1870, quando ainda existia a pena de morte por enforcamento, o lugar se chamava Largo da Forca (e tinha essa função).

Templo Budista Kwan-Inn (R. Conselheiro Furtado, 445): aberto há 35 anos em um casarão do século XIX. É um templo taiwanês aberto apenas para a comunidade do bairro, sendo necessário agendar visitas.

Templo Busshinji (R. São Joaquim, 285): sua história começou logo depois da Segunda Guerra Mundial, quando os japoneses que moravam aqui pediram a vinda de missionários budistas para a América do Sul. É a sede da Missão da Soto Shu. A meditação zazen acontece diariamente, com sessões para iniciantes às quartas e aos sábados, às 18h. 

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