Lentidão no trânsito tem piora de até 50% em SP

Congestionamento chega a 66 km às 11h em 2012; índice de carros por 100 habitantes vai a 64,7 e quase dobra em 22 anos

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h08

O trânsito em São Paulo está mais devagar. E isso em qualquer hora do dia, não importa se de manhãzinha ou se no rush da volta para a casa. É o que mostram dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), divulgados ontem, sobre o trânsito da metrópole em 2012. Mesmo depois das 10h, o tráfego continuou mais lento do que o normal em 2012. Às 11h, por exemplo, o trânsito ficou 50% pior, atingindo 66 km de filas.

O maior índice é registrado no pico da noite, às 19 horas. Às 19h, o paulistano enfrentou mais lentidão. Foram, em média, 120 km de filas no horário, ante 107 km em 2011 - um aumento de 12%. O horário de pico da manhã foi a faixa do dia que mais sofreu com a queda da velocidade no trânsito. Das 7h às 10h, a lentidão na cidade alcançou, em média, 68 km, ante 53 km em 2010.

Na avaliação da CET, os engarrafamentos só tendem a piorar enquanto a cidade não tiver transporte público de qualidade. Melhorar esse serviço é umas das responsabilidades do Município, administrador da rede de ônibus. "O sistema viário não cresce, mas a quantidade de veículos que entram nele sim. O único modo de conter o aumento será a migração das pessoas do transporte individual para o coletivo", diz Tadeu Leite Duarte, diretor de Planejamento da CET.

Dados tabulados pela empresa revelam que, em 2012, a capital paulista chegou a 64,7 veículos a cada cem habitantes. Vinte e dois anos antes, o patamar chegava quase à metade disso: 36.

As tabelas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) informam que, no período, a população subiu 19%.

Já o tamanho da frota registrada mais do que dobrou, atingindo mais de 7,3 milhões de veículos no ano passado.

Corredores. A gestão Fernando Haddad (PT) promete construir 150 km de corredores de ônibus até o fim do mandato. O petista também diz que vai entregar, ainda neste ano, 220 km de faixas exclusivas de ônibus à direita, como as que vigoram na Avenida Paulista e na Marginal do Tietê. São essas as principais apostas do governo municipal para melhorar a velocidade dos ônibus e, consequentemente, reduzir a lotação e a demora das viagens, tornando o meio atrativo para quem tem carro.

"Não queremos que as pessoas abandonem completamente o carro, mas sim que, se puderem, usem o transporte público ao menos em uma parte do seu deslocamento", diz Duarte. A velocidade média dos ônibus no trânsito era de apenas 13 km/h no ano passado. Com as novas faixas inauguradas neste ano, subiu a 15 km/h, segundo dados preliminares.

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