Lentidão favorece ação de bandidos nos horários de pico

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, foram registrados 111 assaltos na Giovanni Gronchi no primeiro bimestre

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

Pais de alunos do Colégio Pio XII e integrantes do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi afirmam que o trânsito parado nas ruas que cruzam a Avenida Giovanni Gronchi tem facilitado a ação de grupos de assaltantes. Há dois meses, os moradores e o comando da Polícia Militar da área pedem à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que a Rua Francisco Tomás de Carvalho, o "ladeirão", ao lado de Paraisópolis, tenha mão única no sentido da Marginal.

Por volta das 7h, no horário de chegada dos alunos, a rua que serve de ligação entre a Giovanni Gronchi e a Marginal do Pinheiros fica completamente parada. A situação se repete no fim da tarde, quando moradores do Condomínio Portal do Morumbi utilizam a via para chegar em casa. Cerca de 4 mil pessoas moram no condomínio e 1,3 mil alunos estudam no Pio XII.

Com dezenas de pessoas paradas no trânsito, a ação dos bandidos se repete quase todos os dias, como conta a diretora da Associação de Pais e Mestres do Pio XII, Cristiane Kobashi. Ela foi vítima de assalto em fevereiro. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, somente em um trecho de 900 metros da Giovanni Gronchi, onde fica o cruzamento com a Francisco Tomás de Carvalho, ocorreram 111 assaltos no primeiro bimestre.

"Os meninos (assaltantes) sempre ficam andando na ladeira para ver o que tem dentro dos carros. No dia em que fui assaltada, havia esquecido um estojo de maquiagem no banco do passageiro. Um garoto estourou meu vidro com uma vela de carro", contou a diretora. "Vi outras mulheres sendo assaltadas no ladeirão. A secretária da associação também foi roubada quando estava no trânsito", acrescentou.

De acordo com Bruno Amadei Júnior, da Sociedade de Moradores do Morumbi, a construção da Perimetral Paraisópolis vai desembocar no mesmo ponto de quem vem pela Giovanni Gronchi. "Se não houver o prolongamento, vai haver congestionamento dentro da favela e ninguém vai querer ficar parado lá."

Os moradores também pedem a inversão do sentido das Ruas Major José Marioto Ferreira e Manuel Antonio Pinto, além do fechamento do escadão que liga Paraisópolis à Giovanni Gronchi. O escadão, uma antiga reivindicação dos moradores da ocupação, teve o fechamento descartado pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). Já a CET informou que a implementação de mão única no "ladeirão" aumentaria os riscos de acidentes, uma vez que os carros poderiam desenvolver maior velocidade. A mudança também causaria congestionamento em vias transversais, como as Ruas Clementine Brenne e Ernest Renan, segundo a companhia./ COLABOROU RENATO MACHADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.