Lentidão em estradas se alastra pelo interior

Trânsito parado é cada vez mais comum perto de cidades como Ribeirão e Campinas

José Maria Tomazela SOROCABA, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2010 | 00h00

Nas viagens pelo Estado, os motoristas de São Paulo já enfrentam congestionamentos até em rodovias distantes da capital. Nas proximidades de Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Sorocaba, São José do Rio Preto e outros polos regionais do interior, as estradas estão cada vez mais abarrotadas de veículos. Além da explosão de condomínios nesses centros, as rodovias são usadas para fugir do trânsito urbano local.

O problema se agrava com as férias e as viagens de fim de ano. Como resultado, alguns trechos rodoviários se assemelham a avenidas. "Isso aqui está igual à Marginal do Tietê", afirma o empresário Itamar Teodoro da Silva, dono de uma transportadora de Campinas, sobre um trecho da Rodovia D. Pedro I. As estradas que circundam Campinas estão entre as mais congestionadas do interior. A D. Pedro chega a parar nos horários de pico - entre 6h e 8h30 e das 17h às 20h - no trecho de 18 km que vai da Anhanguera até a saída para Valinhos.

"A rodovia é contaminada pelo trânsito urbano e se roda a 20 km/h", diz Silva. Na Anhanguera, o trânsito fica lento desde a entrada de Campinas, no km 86, até o pedágio de Americana, no km 118. Os motoristas trafegam a uma velocidade de 70km/h - a máxima permitida é de 100 km/h. Outro gargalo surge bem adiante, entre os km 292 e 307, em Ribeirão Preto.

Na Santos Dumont (SP-75), que liga Campinas a Sorocaba, o congestionamento começa na passagem pela Avenida Prestes Maia e vai até o bairro Itatinga, no acesso à Bandeirantes. No trecho inicial, totalmente urbanizado, o trânsito para. A rodovia também tem excesso de veículos na passagem por Indaiatuba e na chegada a Sorocaba.

A Raposo Tavares também virou pesadelo para os motoristas entre os km 92 e 102, no contorno de Sorocaba. Para ganhar tempo e evitar o caos do trânsito urbano, a microempresária Eliete Ribeiro passou a usar a rodovia para levar o filho à escola. No início do mês, depois de enfrentar sucessivos congestionamentos na rodovia, voltou a transitar pela cidade. A concessionária CCR Viaoeste afirmou que está construindo avenidas marginais no trecho.

Cotia. O conhecido gargalo da Raposo entre o km 17, em São Paulo, e o km 30, em Cotia, está se ampliando e já chega a Vargem Grande Paulista. O empresário Miguel Pedroso leva uma hora e meia para ir dessa cidade à capital, mesmo rodando no contrafluxo. No trecho inicial, gerido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o problema são os inúmeros acessos a empreendimentos comerciais, como o do km 22, que atende a um shopping. "Fizeram um vale-tudo com acessos mal dimensionados, que não dão vazão."

Nas passagens por Cotia e Vargem Grande, já em trecho sob concessão da Viaoeste, o problema é a falta de saída da via expressa para as marginais.

O motorista de carreta Heli Silva do Espírito Santo aponta o trecho de pista simples da Raposo, do km 115, em Araçoiaba da Serra, ao 160, em Itapetininga, como o mais crítico. "É uma vergonha gastar três horas para rodar menos de 50 km", diz. Segundo a SP Vias, a duplicação está em fase de licenciamento ambiental.

Funil. Na Rodovia Washington Luís, o trecho crítico fica na altura de São José do Rio Preto, entre o km 430 e o 438. A faixa da direita da rodovia para completamente nos horários de pico. A Rodovia Luiz de Queiroz tem pontos de parada na passagem por Americana e congestionamentos na chegada a Piracicaba. A Dutra para em horários de pico entre São José dos Campos e Caçapava.

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