WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Lentidão e acidentes caem nas Marginais do Tietê e do Pinheiros

Velocidade reduzida nas vias completa um ano nesta quarta; número de radares aumentou 405% de 2013 para 2016. Especialista pede ações educativas

Bruno Ribeiro e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

20 Julho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Um ano após a redução da velocidade máxima nas Marginais do Tietê e do Pinheiros, dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostraram que a quantidade de acidentes com vítimas - mortos ou feridos - e a lentidão nas vias apresentaram queda de 38,5% e 8,7%, respectivamente. Especialistas veem os resultados ligados ao aumento da capacidade de fiscalização da Prefeitura.

Em 20 de julho do ano passado, a administração municipal adotou a redução da velocidade, limitando a 50 km/h, 60 km/h e 70 km/h nas pistas locais, centrais e expressas dos mais de 46 quilômetros das vias. Em meio a polêmicas e até ação judicial contra a política, a decisão da gestão Fernando Haddad (PT) sobreviveu.

Informações da CET apontaram que o número de acidentes com vítimas passou de 608 no primeiro semestre de 2015 para 380 no mesmo período desse ano; em 2014, aconteceram 763 ocorrências nos primeiros seis meses do ano. Os dados levam em consideração registros de campo feito por homens da companhia, já que, como o Estado mostrou nesta terça-feira, 19, a Secretaria da Segurança Pública do Estado está há seis meses sem repassar boletins de ocorrência para análise da CET. A companhia destacou que a melhoria ocorreu mesmo diante do aumento do número de veículos circulando: a frota passou de 7,8 milhões de veículos em 2014 para 8,1 milhões em dezembro do ano passado. 

Radares. De 2013 a 2016, o número de radares fixos nas marginais aumentou 405%, passando de 19 para 96, além de 10 radares pistola que funcionam em 35 pontos de revezamento. “As pessoas foram obrigadas a seguir as medidas, por causa da quantidade de radares. Elas tiveram de se adequar”, diz o professor da Universidade Mackenzie Luiz Vicente de Mello Filho.

Para ele, um investimento isolado em fiscalização não ataca a causa do problema. “Se continuar assim, ficaremos nessa briga de gato e rato em que o motorista diminui a velocidade quando passa por um radar, mas depois volta a acelerar. É preciso discutir educação de trânsito.”

OAB critica medida e aguarda análise de ação na Justiça

Um dia depois da adoção da redução da velocidade, a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reagiu e foi à Justiça contra a medida. Em campanha liderada pelo presidente Marcos da Costa, ela fez críticas à decisão da Prefeitura e pedia a reversão da redução e mais debate com a população sobre o assunto. Passado um ano, a ação ainda tramita na 11ª Vara da Fazenda Pública da Capital sem decisão e, mesmo diante das estatísticas mostrando queda de acidentes e lentidão, Costa manteve sua posição. “O administrador não é o dono da cidade. Para tomar uma decisão dessa envergadura, transformar uma via expressa em avenida, precisaria ter ouvido a sociedade.” A administração municipal não comentou o posicionamento. 

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