Lembra das bibliotecas do Metrô? Elas voltarão

Dessa vez, no entanto, elas vão começar a surgir em terminais de ônibus

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2014 | 10h31

As bibliotecas Embarque na Leitura, que durante quase dez anos funcionaram em estações de Metrô de São Paulo, devem voltar no segundo semestre. Desta vez, em outro transporte público. A primeira da nova série deve ser instalada no Terminal Sacomã de ônibus, em agosto.

"Vai ser um 'sucessaço'", empolga-se o idealizador do projeto William Nacked, presidente do Instituto Brasil Leitor. "Se o rei Roberto Carlos me desse o direito de sua música, eu cantaria 'Eu voltei, agora pra ficar..."

Não deve ser a única biblioteca em terminais de ônibus paulistanos. "Em breve, devemos ter um também em Cidade Tiradentes. O projeto é instalar seis bibliotecas do programa em São Paulo até o fim de 2015", antecipa Nacked.

Se nos metrôs paulistanos as unidades da Embarque na Leitura desapareceram por falta de patrocínio (a última, da Estação Paraíso, foi fechada em dezembro passado, e tinha um total de 22.720 sócios e mais de 250 mil livros emprestados), no resto do País o projeto não deixou de existir. Hoje há bibliotecas ativas em sistema de transporte de capitais como Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife e cidades como Piracicaba (SP) e Campo Largo (PR).

Atualmente são 11 bibliotecas do tipo, sempre atreladas ao transporte público, do metrô de Porto Alegre à balsa do Guarujá. Além das seis paulistanas que o instituto pretende instalar até o fim de 2015, estão no papel outras cinco espalhadas pelo Brasil. "Ou seja: vamos praticamente dobrar", comemora o idealizador.

Pesquisa. Recentemente, o Instituto Brasil Leitor divulgou os resultados de uma pesquisa mostrando a importância de bibliotecas grátis. O levantamento foi feito com usuários da biblioteca da Estação Paraíso ao longo do ano passado, último ano de funcionamento da unidade. Foram ouvidos 500 usuários cadastrados. Para 23% deles, a biblioteca era a única opção de acesso a livros e 82% disseram que, após o contato com o projeto, passaram a estimular o hábito de leitura entre os familiares e amigos.

Para quem já tinha o hábito de ler, as bibliotecas permitiram um aumento considerável no volume de leitura. Antes do projeto, as pessoas liam em média 1,6 livro por mês. Após o cadastro na biblioteca Paraíso, o número aumentou para 2,6 livros, que representa um crescimento de 62%. Em números absolutos, o resultado representa 12 livros a mais por ano para cada leitor.

Sobre o local onde liam com mais frequência, a maior parte (54%) revelou ler dentro do transporte público (metrô, ônibus ou trem); 33% em casa; 9% no trabalho; 2% em praças e parques e o resultado mais surpreendente: apenas 2% dos usuários tem o hábito de ler em algum estabelecimento de ensino (escola, faculdade ou cursos).

A maioria dos cadastrados na biblioteca Paraíso era formada por mulheres (69%), com média de idade de 37 anos. O número de público feminino aumenta ainda mais quando analisados os frequentadores que emprestaram livros por mais de uma vez (73%), ou seja, entre aqueles que tornaram-se usuários recorrentes.

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