Leitores criticam governo devido ao acidente da TAM

Indignado, público lembra outros incidentes e conclui que pista não tinha condições de funcionar

18 de julho de 2007 | 03h28

Diversos leitores do estadao.com.br comentaram entre a noite de terça-feira, 17, e esta quarta-feira o acidente envolvendo o Airbus A320 da TAM. O avião derrapou na pista do Aeroporto de Congonhas, atravessou a Avenida Washington Luiz e bateu em um prédio da companhia aérea e em um posto de gasolina do outro lado da via.  Veja Também: Conte aqui o que você viu e o que você sabe sobre o acidente  Assista a vídeos feitos no local do acidente O local do acidente Os piores desastres aéreos do Brasil Conheça o Airbus A320 Galeria de fotos ">Tudo sobre o acidente da TAM O clima era de total desconsolo e revolta contra o estado em que se encontra a aviação, o governo e os aeroportos brasileiros. "Já tivemos muitos sinais de que o Aeroporto de Congonhas não dá mais, tá na hora de fechar e tomar uma ação definitiva neste assunto", disse um leitor que não quis se identificar. Mesma opinião tinha Bernardino, que lembrou da derrapagem de uma outra aeronave em Congonhas. "Nesta semana já tivemos uma aeronave que derrapou e parou no canteiro central. Agora, temos outra que bateu no posto de gasolina e pegou fogo. Isto na mesma pista que foi entregue reformada e cujo objetivo era aumentar a segurança com pista molhada. No mínimo estranho estes acidentes. Quem explica?", questionou. Outro leitor, que não quis se identificar, culpou o governo pelo ocorrido. "Quantos morreram desta vez? E quantos nossos governantes conseguirão assassinar até o final de seus mandatos? Parabéns para todos eles! Estão fazendo direitinho. Acabando aos poucos com a dignidade, o orgulho e a alegria de ser brasileiro." Mais moderados, mas não menos indignados, alguns leitores enfatizaram os erros da parte técnica, junto com o afobamento político, que podem ter ajudado a causar o desastre. "Sempre que uma obra é entregue, há a necessidade de uma vistoria minuciosa para verificar se todas as etapas previstas foram concluídas", disse um anônimo. "No caso das obras realizadas na pista do Aeroporto de Congonhas, o que se verifica pelos dois acidentes (Pantanal e TAM) é que a sanha populista de um governo despreparado é a responsável pelos acontecimentos. O senhor presidente da república exigiu que os aeroportos do Brasil ficassem operantes, 'acabando com os atrasos'. Será que ele terá a dignidade de reconhecer a sua parcela de culpa?", questionou. Já um engenheiro civil especialista em vôo, e que não se identificou, comparou o modelo da aeronave da TAM (um Airbus) com o Boeing. "É visto a superioridade dos Airbus em segurança e conforto frente aos arqui-rivais Boeings. O sistema fly-by-wire dos Airbus dispensa o sistema de cabos e o avião é operado eletronicamente. Isto garante respostas rápidas, precisas e controladas, caso haja algum erro do piloto", explicou. "Em se tratando de um acidente aéreo, é praticamente impossível apontar uma única causa como responsável pela tragédia. No caso específico do vôo JJ 3054, o pouso pela pista auxiliar não permite a aterrissagem por aparelhos e somente por farol, o que pode ter levado o piloto longe dos 300 metros da cabeceira recomendados, devido a chuva", acrescentou. O engenheiro, porém, ressaltou uma possível falha humana no acidente. "A falta de grooves pode ter causado uma aquaplanagem, anulando o efeito dos freios, já que são os principais mecanismos de frenagem no pouso e não os reversos. A tentativa do piloto em arremeter em poucos metros restantes de pista pode ter sido uma atitude equivocada."

Mais conteúdo sobre:
Vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.