Leis obrigam paulistanos a cantar hinos da cidade

São Paulo terá de realizar um concurso para escolher o hino paulistano

Fabiane Leite e Juliano Machado, do Estadão

11 de julho de 2007 | 20h07

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), promulgou nesta quarta-feira, 11, um conjunto de leis que elegem símbolos de São Paulo. Entre elas estão hinos da Mooca (zona leste), da zona leste e da Fórmula 1 - que deverá ser cantado antes e depois de cada Grande Prêmio Brasil. Para que seja cumprida a determinação, o texto deixa claro a necessidade de uma banda no local.Um hino da cidade ainda não existe. Mas fica estabelecido um concurso para criá-lo, ainda sem data nem regulamento - tudo será definido por meio de regulamentação, dentro de 60 dias, em um texto a ser publicado no Diário Oficial.Ainda de acordo com a publicação, São Paulo passa a ter de cantar o Hino à Negritude, de autoria de Eduardo de Oliveira, autor de músicas e livros sobre o tema, "em todas as solenidades que envolvam a raça negra". A Prefeitura não quis comentar as medidas, alegando ser assunto do Legislativo.A consolidação aprovada pelo prefeito reúne leis aprovadas entre 1951 e 2002, de diferentes vereadores, que tratavam das simbologias da cidade. Portanto, não trazem exatamente uma novidade. Em resumo, refrescam a memória para um conjunto de leis pouco conhecidas, que nunca pegaram.Quem sabe que a azaléia e a Avenida Paulista são, por lei, símbolos de São Paulo? O texto sancionado relembra. "Mas a Avenida Paulista não é um símbolo de São Paulo hoje, é Nova York dentro da capital, e piorada. O jeito de criar uma identidade é valorizar o que já existe e não fazer um decreto. Eu louvo a boa intenção, mas uma coisa dessas é inócua", afirmou o professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP, José de Souza Martins.Segundo o presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR), a reunião de leis sobre o mesmo assunto facilita a vida do cidadão e do poder público. "Estamos fazendo isso também para outros assuntos, como bares e bancas de jornal." Reflexo da medida nas escolasA medida retoma ainda uma norma que ensinou - e aborreceu - muitos estudantes no passado: cantar o Hino Brasileiro e hastear a Bandeira Nacional no pátio semanalmente. Mas só as escolas municipais terão de atender à determinação.

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