Lei seca muda hábitos em SP e reduz em 13% número de mortes nas rodovias

Legislação mais rigorosa e aumento da fiscalização reduziram violência nas estradas estaduais paulistas no carnaval deste ano

BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE , JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h02

A fiscalização da lei seca no carnaval deste ano retirou um número recorde de motoristas embriagados das estradas paulistas: 749 pessoas, entre multados e presos por crime de trânsito. Como resultado das blitze, que fiscalizaram até motoristas sob efeito de drogas, muitos paulistanos mudaram os hábitos neste ano. Deixaram o automóvel em casa e curtiram a folia de táxi ou de metrô. E o número de mortos e feridos nas rodovias caiu: 13% e 57%, respectivamente.

A cantora Zá Coelho, de 29 anos, é um exemplo desse novo comportamento: durante o carnaval, ela saiu com o namorado só de táxi. "Antes, tinha a consciência de que estava fazendo algo que não era certo, mas agora a coisa mudou. É mais seguro ir de táxi. E o preço dos estacionamentos faz a viagem de táxi valer a pena."

Já a estudante Jéssica Rodrigues, de 21, conta que desde o começo do ano seu grupo de amigos já tem ido para a balada só de táxi. "A gente junta um grupo e divide a corrida." Além de punições mais severas e do aumento da fiscalização, ela afirma que a mudança também se deu por conscientização. "Sou contra dirigir após beber", garante. "Além disso, tem o fato de poder ir para a cadeia."

O aumento do risco da prisão (de 6 meses a 3 anos) é resultado de dois fatores: as mudanças na lei seca aprovadas pelo Congresso Nacional no fim do ano passado e a edição de uma portaria do Conselho Nacional de Trânsito, há duas semanas, que estabeleceu tolerância zero para a aplicação de multas e limite de 0,34 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões para prisão.

Outro motivo para a redução das mortes foi a fiscalização severa. No carnaval do ano passado, as blitze da Polícia Militar pararam 2,5 mil veículos. No carnaval deste ano, foram 7,5 mil. O total de multas aplicadas para quem dirigiu sob efeito de álcool cresceu de 214 para 611 (185%). A multa, de R$ 1.915,40, é aplicada a quem apresenta resultado do bafômetro entre 0,05 mg e 0,34 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões.

O total de presos passou de 46 para 138 (200%) - um deles foi por dirigir sob efeito de droga. Quando o motorista é flagrado com nível acima de 0,34 mg, ele é levado à delegacia e só pode ser liberado após pagamento de fiança. Também perde o direito de dirigir por um ano e tem de pagar a multa.

A fiscalização mais severa é justificativa do consultor de sistemas Marcio Perez Barbosa, de 45 anos, para também ter deixado o carro em casa no carnaval. "Não saio mais com carro. Peguei para viajar no carnaval, mas, como não poderia beber, não quis ficar com ele. Então voltei mais cedo, anteontem, para poder ficar aqui (em São Paulo) tranquilo."

Já o produtor de eventos Robson Santos, de 31, diz que o risco de ir para a cadeia foi o que motivou ele e os amigos a também dividirem o táxi ao sair à noite. "Agora é só assim."

Mortes. O balanço da fiscalização do trânsito no carnaval foi divulgado pelo governador Geraldo Alckmin - que chegou até a participar de uma blitz na sexta-feira de carnaval. O Estado quer emplacar um novo modelo de fiscalização em São Paulo e o carnaval foi o piloto do programa.

Em 2013, foram 27 mortes nas rodovias paulistas. Em 2012, 31. O número do carnaval deste ano, no entanto, ainda é maior do que o registrado no carnaval de 2011, quando morreram 24 pessoas. Já entre os feridos, o total passou de 1.077, no ano passado, para 445 neste ano. Um recorde histórico, segundo a Polícia Militar.

As operações policiais no Estado tiveram 300 aparelhos de bafômetro. Durante os bloqueios montados nas rodovias e dentro das cidades, foram apreendidas 561 carteiras de habilitação, ante 244 no ano passado.

No Estado. Somadas as operações nas rodovias e dentro das cidades, houve aumento de 22% no número de pessoas multadas: cresceu de 1.164 infrações em 2012 para 1.419 neste ano. Já o total de pessoas presas mais do que dobrou: subiu de 128 em 2012 para 435. No ano passado, 8.445 pessoas foram submetidas ao teste do bafômetro. Neste ano, com o reforço nas blitze, esse número cresceu para 11.396 - 36% mais.

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