Lei previa multa a ''morto vivo''

Uma forte epidemia de cólera que atacou São Paulo em fevereiro de 1855 acelerou a construção do primeiro cemitério público da cidade. Preocupado com o surto da doença, o vigário-geral Anacleto José Ribeiro Coutinho proibiu velórios e enterros nas "capelas, igrejas, sacristias e catacumbas", em fevereiro de 1856. A medida fez com que a população passasse a jogar dezenas de cadáveres na Várzea do Carmo, em valas ao lado do Rio Tamanduateí, o que teria agravado a disseminação da "peste", já que a água era usada no abastecimento para cerca de 30 mil habitantes.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2010 | 00h00

Durante três anos, a construção do Cemitério da Consolação, "lugar bastante afastado e alto", dominou as discussões na Câmara. A pressão da população por um novo lugar para fazer os velórios e pelo aterramento da várzea era grande. Uma charge de Angelo Agostini em pasquins da época satirizou a situação: urubus saindo da Várzea do Carmo e entrando no Paço Municipal, no Largo de São Gonçalo, em agradecimento aos vereadores pelos mortos depositados no rio.

Para dar uma resposta ao povo, os vereadores, dois anos antes da inauguração do cemitério, aprovaram o regulamento para os enterros.

Chama a atenção o artigo 35 da lei, que entrou em vigor em 3 de maio de 1856: "Quando acontecer que na sala de observações volte à vida algum indivíduo levado morto ao cemitério para ser enterrado, não sendo indigente terá de pagar ao administrador e coveiros a gratificação de cem réis. Em sendo indigente, a gratificação será paga pela Câmara." Não há registro, porém, de pessoas que acordaram em seus velórios.

ALTERAÇÕES DE NOMES

Largo do Curso Jurídico se transformou em Largo de São Francisco

Rua do Rosário foi alterada para Rua 15 de Novembro

Largo do Riachuelo virou Praça das Bandeiras

Rua da Palha se tornou Rua 7 de Setembro

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