Lei obriga coronel Telhada a deixar o comando da Rota

'Saio de coração partido', afirma o oficial, que vai para a reserva; chefe do Choque é um dos cotados para o cargo

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2011 | 09h29

A mais conhecida tropa de elite da Polícia Militar terá novo comandante. No dia 18, o tenente-coronel Paulo Telhada será obrigado a sair das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) após uma lei sancionada recentemente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Com 33 anos de corporação, o oficial ficou conhecido pelo rigor na repressão aos criminosos.

Ontem, Telhada não escondeu da reportagem a tristeza por deixar o cenário policial. "Eu saio triste, pois gosto muito da polícia. Saio de coração partido mesmo. Minha meta era ficar até 2014 e me aposentar com 35 anos de serviço", contou. Telhada está sendo transferido para a reserva remunerada da PM, pela Lei Complementar 1.150, aprovada dia 20 para melhorar o fluxo de carreira dos oficiais.

Pela nova legislação, o oficial (tenente, capitão, major, tenente-coronel ou coronel) com 30 anos ou mais de serviço - que conte cinco anos no mesmo posto - será transferido obrigatoriamente para a reserva. Para Telhada, a notícia tem uma vantagem: ele será promovido a coronel.

"Mesmo assim, preferia ficar na Rota", diz ele. Ao longo da carreira, o oficial chegou a ser baleado duas vezes em serviço: em 1990 e em 1995. Em julho de 2010, ele viveu o pior momento de sua vida. Ao sair de casa, seu carro foi atingido por pelo menos 11 tiros. As balas não o feriram. "Esse dia ficou marcado. Não dá para esquecer."

Repercussão. Na página do site de relacionamento do oficial, seguidores lamentavam sua saída ontem: "Se é para o bem da nação, diga que fica!" Em outro comentário, um seguidor enfatizou: "Bandido que atira para matar merece tomar tiro para morrer. O senhor vai fazer falta no comando." Em uma das últimas ações de destaque neste ano, seus homens mataram seis suspeitos em um roubo de caixa eletrônico na zona norte. O caso foi registrado como resistência seguida de morte.

Telhada diz que sai da Rota após dois anos e meio com a sensação de dever cumprido. Ele não sabe o que vai fazer após deixar a PM, mas afirma ter recebidos propostas, sem revelar detalhes. Um dos nomes cogitados pelo comando para ocupar o cargo é o tenente-coronel Salvador Madia, atualmente no Comando de Choque. Ele não foi encontrado para comentar o assunto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.