Law Kin Chong negocia prédio no Brás

Trata-se de uma área de 12 mil m², hoje ocupada por imóveis residenciais e comerciais nas proximidades da Avenida Rangel Pestana

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2012 | 03h02

O empresário Law Kin Chong, de 57 anos, tem em vista um novo endereço para os seus negócios em São Paulo, segundo comerciantes do Brás, na região central. Trata-se de uma área de 12 mil m², hoje ocupada por imóveis residenciais e comerciais nas proximidades da Avenida Rangel Pestana.

Moradores e comerciantes já receberam notificação para desocupar o local, questionam na Justiça a legalidade da ação e apontam Kin Chong como o homem por trás das ordens de despejo. O empresário sino-brasileiro já foi tido pela Polícia Federal na década passada como o maior contrabandista do País.

Desde novembro, a proprietária legal do terreno, uma mulher de 91 anos, moradora de Ipanema, no Rio, passou a enviar cartas de despejo a inquilinos. Nesse meio tempo, a antiga administradora dos imóveis "sumiu" e deu lugar a um novo escritório, que, em um primeiro momento, aumentou os valores dos aluguéis. Em seguida, expediu ordens para a desocupação total, abrindo caminho para a instalação de uma nova atividade.

Funcionários que trabalhavam na antiga administração contam ter visto a mulher do empresário, Hwu Su Chiu Law, conhecida como Miriam, dando ordens assim que mudou o comando do escritório. Porteiros e demais trabalhadores foram demitidos, para a chegada do pessoal ligado a Kin Chong.

Imbróglio. Depois disso, o estacionamento instalado na área do antigo Cine Piratininga também passou às mãos de Kin Chong e seus familiares, segundo os comerciantes. Em paralelo, teve início uma obra no terreno. A intenção seria a de transformar o lugar em um novo shopping para os produtos do empresário.

Mas surgiram pedras no caminho. Proprietário de uma loja de produtos plásticos na Avenida Rangel Pestana e inquilino de um dos imóveis, Jorge Agut, de 42 anos, foi um dos primeiros a ter contra si a notificação de despejo. Revoltado, exigiu ter a preferência de compra. Recebeu da proprietária a proposta, mas não houve negócio.

"Disseram que teríamos de comprar todo a área de 12 mil metros por R$ 16 milhões. Eles imaginavam que não teríamos condições de comprar, mas conseguimos juntar o dinheiro, pedimos o número da conta para depositar o valor e, na sequência, eles não falaram mais nada", disse Agut. Ele suspeita que a área estivesse vendida para Kin Chong.

O comerciante Márcio Serapilla, de 36 anos, dono de uma empresa de aparas, no setor de reciclagem, também recebeu a notificação da proprietária, por meio de advogados do escritório Law & Liberatore, de Thomas Law, filho de Kin Chong. Para ele, esse é outro claro indício de que o empresário sino-brasileiro está por trás da negociação. Ele fala que não há legitimidade na ação de despejo. "Recolhemos cerca de 300 toneladas por mês de material reciclado, atendemos mais de 100 catadores. Temos uma função social. Estamos aqui desde 1985. Não podemos sair assim, do nada."

Serapilla tenta reverter a ação, provando quem de fato, em sua opinião, é o atual dono dos imóveis. A defesa do comerciante apontou à Justiça a suspeita de que a proprietária seja, na realidade, uma intermediária de Kin Chong, que já teria tomado conta de fato da área. Se isso ficar comprovado, a ação de despejo ficará improcedente.

O interesse de Law na região é antigo. Investigação da PF na década passada apontou que galpões, cinemas e prédios abandonados estavam na mira do empresário para a instalação de shoppings.

Procurada, a defesa da proprietária afirmou que a Justiça concedeu a ordem liminar de despejo contra Serapilla, e não mais convinha a ela a continuidade da relação locatícia, que havia expirado. Diz também que seguiu todos os ditames legais, respeitando os direitos de terceiros, sobretudo os do locatário. Sobre os demais imóveis, não se pronunciou. Os advogados de Law não se manifestaram.

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