Laudos reforçam suspeitas contra pai e madrasta de Isabella

As fibras de náilon encontradas nas roupas que o pai vestia no dia do crime são da tela proteção da janela

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo,

17 de abril de 2008 | 20h18

Três laudos concluídos pela equipe de peritos que trabalham no caso Isabella reforçam as suspeitas da polícia contra o casal Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 anos. Uma toalha e uma fralda apreendidas no apartamento da Rua Santa Leocádia, zona norte de São Paulo, tinham vestígios de sangue da menina de 5 anos. Com as peças foram lavadas, os policiais desconfiam que ambas foram usadas para limpar o rosto da garota. Sabe-se que Isabella tinha um corte de meio centímetro na testa e que o ferimento fora provocado em vida. Portanto, a fralda e a toalha são as únicas provas que realmente vinculam o casal à morte da criança.   Veja também: Polícia monta aparato para depoimento de pai de Isabella Imagens do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella    A polícia recebeu a informação dos peritos de que as fibras de náilon encontradas nas roupas que Alexandre vestia no dia do crime são da tela proteção da janela do quarto de onde Isabella foi jogada. O Instituto de Criminalística concluiu ainda que a pegada de sujeira no lençol é 100% compatível com o solado de um chinelo de Alexandre. Na noite do crime, 29 de março, quando Alexandre desceu do apartamento e se dirigiu ao gramado em que a filha estava caída, ele vestia camiseta de manga curta, bermuda e chinelos.   O laudo final do caso apontará que Isabella morreu em decorrência da queda de 20 metros de altura. Durante toda esta semana, os três médicos legistas encarregados de elaborar o exame necroscópico debruçaram-se sobre a questão. A dúvida era se a compressão da artéria carótida de Isabella havia sido provocada por esganadura ou pela queda.   Os legistas acreditam que a garota tenha sido vítima de espancamento e de tentativa de asfixia anteriores à morte. Também intrigou os legistas o fato de o corpo de Isabella apresentar poucas fraturas - no pulso e na bacia. Eles concluíram que a grama fofa amorteceu a queda. Outro fator aponta para a possibilidade da menina estar desacordada, portanto com o corpo relaxado, no momento da queda. Quando foi arremessada do sexto andar, Isabella já estava agonizante, ou seja, com sinais vitais fracos.   As conclusões do Instituto Médico Legal são importantes pois ajudarão os delegados responsáveis pelo inquérito a estabelecer as responsabilidades do pai e da madrasta na morte de Isabella. A polícia dá como certo o indiciamento do casal, que está intimado a prestar novo depoimento, nesta sexta-feira, 18, no 9º Distrito Policial, Carandiru, zona norte. A data coincide com o que seria o sexto aniversário da menina.

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