Laudo vai definir pedido de prisão preventiva do casal Nardoni

Material da bermuda usada por Alexandre Nardoni é compatível com o da tela de proteção do quarto dos filhos

Marcelo Godoy e Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo,

15 de abril de 2008 | 23h37

O relatório do inquérito da morte de Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, está praticamente concluído. A polícia espera apenas o resultado oficial dos laudos para encaminhar tudo à Justiça e pedir a prisão preventiva de Alexandre Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Jatobá, de 24. Policiais afirmam que as investigações devem chegar ao final, no máximo, na quarta-feira da semana que vem.    Veja imagens do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella   Marco Polo Levorin, um dos advogados do casal, disse que é prematuro falar sobre a conclusão do inquérito. "Se não há prova pericial, entra-se no campo da especulação", disse.   Peritos do Instituto de Criminalística (IC) encontraram micropartículas de fibra de náilon na bermuda que Alexandre vestia no dia do crime. O material é compatível com o que constitui a tela de proteção da janela do quarto do apartamento de onde Isabella foi jogada. Para confirmar a origem do fio, os técnicos farão uma análise comparativa. A causa da morte da menina, segundo eles, é parada cardiorrespiratória e hemorragia.   Os peritos descobriram que havia sangue na roupa usada pelo pai de Isabella após a queda menina. As primeiras análises apontaram que o sangue era de Isabella. Além disso, a polícia concluiu que uma pegada de sangue encontrada no colchão do quarto do qual Isabella foi jogada não pode ser da madrasta. Já que o número do calçado é número 41.   Outro dos advogados da família, Rogério Neres de Souza, minimizou os fatos. "Não vejo nada demais na informação, já que muitas testemunhas viram Alexandre tentando ouvir o coração de Isabella".   O IC concluiu que as manchas encontradas no lençol e na sala do apartamento número 62 realmente são de sangue. Também já fez o seqüenciamento do DNA de Isabella. Falta saber se o sangue encontrado na blusa e na calça de Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, mulher de Alexandre e madrasta de Isabella, é da menina. A comparação entre o DNA da garota e o sangue encontrado na roupa começou a ser feita nesta terça, deve ficar pronta na quarta e ser anexado ao inquérito.   Muitas das manchas encontradas pelos peritos no apartamento e no carro de Alexandre não tinham material suficiente para realização do teste de DNA. "Mas o fato de um exame não dar positivo, não significa que a amostra analisada não era sangue, pois em muitos casos o material colhido é insuficiente para realização de um exame de DNA", disse um perito ouvido pelo Jornal da Tarde.   Após o IC localizar o náilon e tirar as conclusões sobre as manchas de sangue, o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP (Carandiru), responsável pela investigação da morte de Isabella, esteve na tarde desta terça tarde reunido com o diretor da Departamento da Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galiano Júnior.   Defesa   Souza esteve no 9º DP. "Vim pegar roupas que Anna Carolina deixou no 89º DP, quando estava presa", afirmou. Sobre os depoimentos de seus clientes, Souza disse não haver divergências. "O que há são concordâncias. Se há alguma divergência, isso será analisado no momento oportuno." O advogado voltou a afirmar que Anna Carolina e Alexandre não brigaram antes da queda de Isabella, como foi descrito por uma testemunha. "Quando Anna Carolina subiu, Isabella não estava lá."   O advogado afirmou que o casal continua confiante que o verdadeiro culpado pela morte de Isabella será encontrado. E afirmou que a polícia deve levar em conta a lista de 22 testemunhas entregue por ele e seus colegas, que defendem o casal, para encontrar esse culpado.   (Carina Flosi, do Jornal da Tarde, Bruno Tavares e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo.)   Texto atualizado às 00h10.

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