Laudo vai apontar quem é o autor do disparo que matou Eloá

Polícia afirma que tiros foram disparados por Lindemberg após a invasão do apartamento

Da Redação,

20 de outubro de 2008 | 12h46

Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) vai ajudar a saber quem foi o autor do disparo que atingiu a cabeça de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos. A bala foi tirada do cérebro da menina no Instituto Médico Legal (IML) e o laudo que vai apontar a causa da morte deve ficar pronto em 30 dias. Eloá teve a morte cerebral declarada na noite de sábado. A menina também foi atingida na virilha por um tiro de uma arma calibre . 32, o mesmo que atingiu Nayara, de 15 anos, na boca. Segundo a polícia, os tiros teriam sido disparados por Lindemberg Alves, de 22 anos, que mantinha as meninas reféns.  Veja também:Corpo de Eloá será enterrado em cemitério de Santo AndréCoração de Eloá é doado a mulher de 39 anosLindemberg teme ser morto na cadeia e advogada fará a defesaNayara recebe a notícia da morte de Eloá e terá alta na quarta Saiba como foi o fim do seqüestro  Confira cronologia do seqüestro  Galeria com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso  Imagens da negociação com Lindemberg Alves I   Imagens da negociação com Lindemberg Alves II   Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador'  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP  Um inquérito da Polícia Civil de São Paulo vai investigar as circunstâncias em que o apartamento de Eloá, no Conjunto Habitacional Jardim Santo André, em Santo André, no ABC paulista, foi invadido. A conduta dos policiais no momento da invasão também será apurada. Por enquanto, há uma avaliação preliminar de que a operação foi "precipitada e atabalhoada". Os policiais também querem respostas para a ação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) durante a semana do seqüestro. Entre outras perguntas, os civis querem saber por que a demora - mais de 100 horas - para tomar uma atitude. Um policial da perícia que esteve no apartamento onde Eloá foi mantida refém, que pediu para não ser identificado, descarta que o tiro que a ela levou na virilha tenha tido conotação sexual, pela proximidade com o órgão genital, o que não é incomum em crimes passionais. Segundo ele, também não se sabe se Eloá estava ou não com a cabeça coberta com lenço, como se falou na sexta-feira. A provável seqüência de tiros disparados por Lindemberg foi primeiro na cabeça de Eloá, que estava deitada no sofá no lado direito da sala, e depois em Nayara, deitada num colchonete próximo. O terceiro tiro é mais incerto e poderia ter sido dado quando os policiais invadiram o apartamento. Outros dois projéteis detonados foram encontrados no apartamento: um atingiu uma parede e outro, o escudo de um policial. A perícia encontrou o imóvel com objetos revirados e armários bagunçados pelos PMs, provavelmente em busca de armas. Alves tentou dificultar a invasão colocando uma mesa como anteparo na porta. Os oficiais do Gate só conseguiram quebrar duas das três dobradiças. Após o arrombamento, a porta caiu sobre a mesa. Armas não letais O trabalho dos peritos não identificou inicialmente disparos de armas letais por parte dos policiais no apartamento. Foram coletadas duas balas de borracha deflagradas pelo Gate. "Estava tudo revirado. Ficou impossível saber como estava a cena real", disse o policial civil. "Talvez as meninas estivessem deitadas pelo cansaço. Mas ele pode ter ordenado que elas ficassem deitadas, pois pode ter pensado que assim elas teriam menos tempo para reagir." A almofada onde Eloá estava apoiada, no sofá, foi encontrada pela perícia bastante suja de sangue.  Já Nayara estaria provavelmente com os pés voltados para a janela deitada no colchonete, pela posição do sangue. Os policias acreditam que, quando Alves atirou na cabeça da ex-namorada, a amiga teria tentado se levantar. Ele então pode ter apontado para Nayara, que se protegeu com a mão no rosto. "Parece que o tiro foi de cima para baixo. Ele estava de pé do lado direito dela. Mas não dá para saber quem levou tiro primeiro. Isso só na reconstituição." O terceiro tiro teria sido dado já quando a polícia invadia a sala e, por isso, atingido a virilha de Eloá. O perito nega que tenham sido usadas bombas de efeito moral. "Lindembergue é forte. Os policiais tiveram dificuldades de segurá-lo." O perito acredita que a polícia demorou para invadir o local.  Investigação é prioridade, diz Serra No sábado, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou que "a investigação do caso é prioridade para o governo". "Fiquei acompanhando muito angustiado esse fato, principalmente ontem (sexta-feira), porque tudo a um certo momento parecia que ia se resolver, mas de repente houve essa inversão", afirmou. De acordo com Serra, há diversas provas - incluindo gravações de todas as conversas telefônicas entre a polícia e Lindembergue - que devem ser organizadas e investigadas, para fazer a reconstituição do crime. Ele não comentou o fato de o governo do Estado ter anunciado na sexta-feira que Eloá havia morrido, se desculpando depois pelo erro. A justificativa é de que ela teria sido reanimada na sala de cirurgia - fato negado pelos médicos.  Serra disse que o Gate invadiu o apartamento depois que os policiais ouviram um disparo e um grito. "O Gate tem uma experiência longa, muito positiva, em ações muito delicadas que exigem perícia, paciência e coragem. Por isso, atuou conforme seus procedimentos." De acordo com o governador, "a Polícia Militar disse que não usou balas de verdade". "Só houve um disparo de borracha e os cartuchos encontrados são da arma do Lindembergue." Cativeiro Sobre a volta da garota Nayara, de 15 anos, ao cativeiro no CDHU do Jardim Santo André, após 33 horas de liberdade, o governador paulista deixou as explicações a cargo do comandante do Comando de Policiamento de Choque, coronel José Eduardo Félix de Oliveira. "A explicação é a que ele deu. Evidentemente na hora em que ela (Nayara) tiver condições vai poder complementar esses esclarecimentos." O governador conversou com Nayara no hospital, mas ela se disse confusa a respeito do que aconteceu nos minutos que antecederam o desfecho do caso. Serra ressaltou que quaisquer julgamentos, no momento, "são prematuros".

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