Laudo sustenta soltura de manifestantes, diz advogado

Após avaliação mostrar que material apreendido com manifestantes não era explosivo, defesa pede reconsideração das prisões

Bruno Ribeiro e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2014 | 21h23

BRASÍLIA - A defesa do técnico em farmácia Fábio Hideki Harano, de 26 anos, pediu na segunda-feira, 4, a reconsideração de decisão liminar que negou a soltura do rapaz, preso no dia 23 de junho em uma manifestação contra a Copa. A polícia alegava que Harano portava explosivos, mas um laudo produzido pelo Grupo de Ações Táticas Especais (Gate), da Polícia Militar, determinou que o material era inerte.

O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que defende o rapaz, espera que Harano saia da prisão nesta quarta-feira, 6. “A prisão foi decidida sob perspectiva de garantia da ordem pública. Agora que há certeza de que ele não portava explosivos, não há ameaça à ordem”, sustenta o advogado.

Sendo concedida a liminar, o benefício será estendido para o professor de inglês Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos, também detido em 23 de junho. Segundo a versão oficial, eles foram flagrados com material incendiário e seriam “líderes” de grupos black blocs.

Desde o começo, as prisões foram contestadas por movimentos sociais que realizam protestos de rua. Vídeo da prisão de Hideki, postados como “prova” de que o flagrante contra ele era forjado, foram divulgados na internet. 

‘Outros fatores’. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem que outros fatores, além da suspeita de porte de explosivos, levaram à prisão de Harano e Lusvarghi durante protesto. 

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, Alckmin não comentou quais os outros fatores que levaram à detenção dos dois manifestantes. O governador afirmou ainda que a Secretaria da Segurança Pública do Estado vai prestar mais detalhes sobre o caso.

“Não é só isso (explosivos). Na razão da prisão há outros fatores que a polícia levanta”, disse o governador. “Infelizmente, vimos que manifestações legítimas que devem ser apoiadas e garantidas acabaram em muitos casos partindo para o vandalismo e para a depredação do patrimônio público e privado.”

Questionado pelo Broadcast Político se considerava que o Ministério Público Estadual (MPE) deveria ter aguardado a conclusão dos laudos para oferecer a denúncia, Alckmin respondeu: “Devemos ouvir o Ministério Público e vamos aguardar que a Secretaria da Segurança Pública fale”.

Em sabatina realizada pelo Estado, na tarde desta segunda-feira, o governador de São Paulo havia negado que a polícia tivesse forjado provas, conforme alegam a defesa de um dos manifestantes e entidades de defesa dos diretos humanos.

Soltura. Outro manifestante detido por acusação de ser black bloc, o professor de português e inglês Jefte Rodrigues do Nascimento, de 30 anos, foi solto na última sexta-feira. Ele passou cinco dias preso.

Nascimento havia sido detido em casa pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), depois de ser identificado como uma das pessoas que apareciam em imagens de vídeo jogando pedras em um caixa eletrônico de uma agência do Citibank de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Ele negou fazer parte de organizações criminosas. 

O Deic obteve a prisão temporária de cinco dias do professor - concedida pela Justiça para permitir que a Polícia Civil obtivesse mais provas contra ele. Nesse tempo, o grupo Advogados Ativistas, que defendem s manifestantes, ingressou com um habeas corpus para libertá-lo, que foi negado. A entidade ingressou também com pedido de relaxamento da prisão temporária.

Mais conteúdo sobre:
Ativistas manifestações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.