Laudo revela que diretor executivo da Yoki foi decapitado vivo pela mulher

Documento oficial sobre morte de Marcos Matsunaga ainda mostra que tiro disparado antes do corte no pescoço foi de cima para baixo

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h08

O diretor executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, foi decapitado ainda vivo pela mulher, Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, no dia 19 de maio, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. É o que mostra o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Cotia, cidade da Região Metropolitana onde foram encontrados pedaços do corpo.

Assinado pelo legista Jorge Pereira de Oliveira, o documento atesta que o executivo foi morto por um tiro associado à "asfixia respiratória por sangue aspirado devido à decapitação". Isso indica que Matsunaga ainda respirava quando teve a cabeça cortada pela mulher, logo após ser baleado.

A informação técnica contradiz a versão apresentada por Elize em depoimento à polícia de que teria matado o marido com um tiro, arrastado o corpo para um quarto e o esquartejado somente dez horas depois, tempo suficiente para que o sangue coagulasse e não deixasse mais vestígios no apartamento onde vivia o casal.

Além de apontar que o executivo estava vivo quando foi decapitado, o laudo afirma que o tiro foi disparado de cima para baixo, da esquerda para direita e bastante próximo, encostado, com vestígios de pólvora no rosto da vítima.

Esse é outro ponto do laudo que contradiz a versão de Elize, de que teria matado o marido durante uma discussão onde os dois estariam em pé. Da forma como foi relatado pelo perito, o tiro foi disparado por Elize em situação de superioridade em relação ao executivo (de cima para baixo) e à queima-roupa - e não a uma distância de pelo menos dois metros, como chegou a afirmar à polícia.

Investigação. O relatório da investigação foi apresentado ontem à Justiça pelo delegado responsável pelo caso, Mauro Dias, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo o delegado, que pediu a prisão preventiva de Elize, independentemente de ter entregue o relatório, ele ainda busca saber o que de fato aconteceu no dia do crime. "Vou confrontar esse laudo com as provas que tenho. É preciso procurar a verdade real", afirmou.

Para Dias, o principal destaque no laudo entregue pelo IML de Cotia anteontem foi a distância a que foi disparado o tiro que matou o executivo. "O que mais me chamou a atenção foi ela ter dito que foi a 2 metros e o laudo ter afirmado que não, que foi próximo."

Segundo o delegado, o fato de o laudo apontar que o executivo foi decapitado ainda com vida não muda a tipificação do crime, já registrado como homicídio qualificado. "Descobri a autoria, a materialidade e agora vou confrontar as informações", afirmou.

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