Laudo indica que esquartejadora teve ajuda de homem

Exame de DNA feito pelo Instituto de Criminalística reforça tese da acusação de que Elize não agiu sozinha após matar marido

O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h02

Elize Araújo Matsunaga, de 38 anos, contou com a ajuda de pelo menos outro homem para esquartejar o marido. É o que indica a análise das amostras de sangue encontradas na cena do crime. O exame reforça a tese da acusação de que Elize não agiu sozinha depois de matar o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42, na noite do dia 19 de maio, com um tiro na cabeça. As informações presentes em um laudo do Instituto de Criminalística divulgado pela revista Isto É podem provocar reviravolta no caso. Desde que confessou o assassinato, Elize afirma ter feito tudo sozinha.

O laudo é resultado de uma análise de DNA de 30 amostras de sangue colhidas no dia 6 de junho ao redor da área onde Matsunaga, herdeiro da empresa de alimentos Yoki, foi esquartejado. A coleta foi feita no dia da perícia realizada no apartamento do casal, uma cobertura de luxo na Vila Leopoldina, zona oeste da capital. O documento revela que os peritos identificaram material genético de um indivíduo do sexo masculino, excluindo Marcos Matsunaga. E cita também a possibilidade de que haja sangue também de outra mulher, além do de Elize.

A participação de mais uma pessoa no crime é cogitada desde o início das investigações, mas até agora não havia indício real dessa suposta coautoria. Para prová-la, no entanto, será preciso identificar o dono da amostra de sangue encontrada no quarto para onde a vítima foi arrastada após ser baleada, já na madrugada do dia 20 de maio.

O promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, responsável pelo caso, diz que recebeu o relatório oficialmente na sexta-feira e a Promotoria deve agora solicitar esclarecimentos técnicos dos peritos do caso para saber se as amostras de fato colocam outra pessoa na cena do crime.

"Sempre acreditamos que Elize tinha contado com a ajuda de um terceiro depois de praticar o crime. No esquartejamento, na distribuição e acondicionamento das partes do corpo e na maquiagem feita na cena do crime."

Segundo o promotor, o fato de ainda não terem aparecido imagens de pessoas subindo no apartamento de Matsunaga não impe que terceiros tenham participado do crime. "O que sabemos é que ninguém subiu de elevador. Mas nada impede que tenha entrado pela escada ou deixado o apartamento dentro de um carro", diz. Ele defende que sejam feitas novas investigações para confirmar a hipótese de ajuda de terceiros.

Presa. Elize está presa em Tremembé, no interior, desde 4 de junho. Ré confessa, ela diz que assassinou o marido durante uma discussão iniciada por causa da infidelidade da vítima. O advogado dela, Luciano Santoro, não foi encontrado ontem para comentar o laudo. / ADRIANA FERRAZ e BRUNO PAES MANSO

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