Laudo descarta blusa como causa da pane no Metrô

Laudo do Instituto de Criminalística (IC), divulgado ontem, descarta possibilidade de fraude na pane no Metrô ocorrida em 21 de setembro, que prejudicou 250 mil pessoas. Conforme adiantou o Estado, a perícia constatou que não houve indícios de que uma blusa havia impedido o fechamento da porta. Também não foram identificadas falhas no funcionamento da composição 309, que provocou a parada em cascata dos trens, mas o laudo não detalha por que houve a sinalização de que a porta estava aberta.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

"O laudo não menciona o porquê da sinalização, o inquérito não quis descobrir essa causa", afirmou o delegado responsável pelo caso, Valdir Oliveira Rosa, da Delegacia de Polícia do Metrô. Segundo Rosa, o inquérito foi aberto com o objetivo de apurar se houve crime e quem seria responsável. A falha ocorreu na linha 3-Vermelha. O trem estava entre as Estações Pedro II e Sé.

A suspeita de ação criminosa no tumulto em pleno horário de pico da manhã foi levantada pelo Metrô no mesmo dia da pane. A direção da empresa chegou a afirmar que a blusa havia impedido o fechamento.

Segundo a análise do IC, o trem teria parado entre as estações para aguardar desembarque da composição que ia à frente, que estava na Sé. O delegado afirma que, pelas informações que teve, a porta teria sido pressionada por causa da superlotação, o que de alguma forma fez o sensor indicar que a porta estava aberta. Com o aviso, técnicos do Metrô teriam ido apurar se realmente a porta estaria aberta. Com a demora, que segundo o delgado teria durado 5 minutos, algumas pessoas acionaram o botão de emergência de abertura de portas. Por questão de segurança, a energia teria sido desligada e, em consequência, afetado toda a linha vermelha.

O laudo também concluiu que todos os danos causados em 18 trens se deveram a tentativas de escapar das composições.

A perícia foi feita na composição dois dias depois do incidente. O delegado afirma que não há prejuízos para a análise. "Pedi a análise no outro dia à noite, e os peritos analisaram a composição no dia seguinte."

Cerca de dez pessoas foram ouvidas pela Delpom. O delegado informou que vai tomar o depoimento de mais um gerente de operações do Metrô e aguardar relatórios da companhia para concluir o inquérito. Depois, o processo vai ser levado ao Ministério Público que pode, ou não, pedir o arquivamento. O delegado acredita que o inquérito deve ser arquivado.

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