Laudo aponta tortura policial em morte de menino de 15 anos

Eletrochoque foi aplicado ao peito da vítima e a corrente atingiu o coração, diz o diretor do IML local

Jair Aceituno, de o Estado de S. Paulo,

18 de dezembro de 2007 | 14h14

O laudo divulgado nesta terça-feira, 18, pelo Instituto Médico Legal (IML) de Bauru diz que o corpo de Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, morto na madrugada de sábado, quando seis policiais militares invadiram sua casa para prendê-lo sob a acusação de ter roubado uma moto, apresentava 30 ferimentos causados por choque elétrico, além de escoriações na face e no tórax. A causa da morte foi definida como "eletroplessão".   O medico Ivan Segura, diretor do instituto, disse que dois dos ferimentos causados por choque são na região mamária e conduziram a corrente direto ao coração, provocando a arritmia seguida de morte.   O promotor João Henrique Ferreira, presente à reunião de divulgação do laudo, disse que há apenas uma dúvida: se denunciará os policiais por "homicídio com tortura" ou "tortura com resultado homicídio", mas não lhe resta dúvida de que a vítima foi torturada e isso causou sua morte.   O delegado seccional, Donizetti José Pinezzi, disse que a Polícia Civil abriu inquérito, onde pretende apurar em que situação ocorreu a morte do menor. Ele disse que o laudo evidencia a tortura policial, e pretende esclarecer outros pontos que, diante da morte, "tornaram-se secundários no caso".   Essas questões são o surgimento de um tijolo de 350 gramas de maconha no quarto do rapaz, informado pelo militares após sua morte, e detalhes de sua suposta participação no furto da moto que desencadeou a situação, e que foi encontrada no quintal da casa da vítima.   Os investigadores procuram a identidade de um outro rapaz, que segundo informações preliminares, teria praticado o furto da moto juntamente com Carlos.   Os seis policiais que participaram da ocorrência e da morte do jovem continuam recolhidos ao Presídio Militar Romão Gomes. Seus advogados encontram-se em São Paulo, onde pretendem impetrar habeas-corpus para que respondam em liberdade.

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