Latrocínio tem alta de 41,6% na cidade de SP

Em outubro, foram 17 ocorrências de roubo seguido de morte na capital; roubos cresceram pelo 17º mês seguido

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2014 | 20h28

SÃO PAULO - A cada dia do mês de outubro, uma pessoa morreu durante um assalto no Estado de São Paulo, segundo balanço da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgado nesta terça-feira, 25. Foram 35 ocorrências - 17 delas na capital. O latrocínio - roubo seguido de morte - teve alta de 20,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na cidade de São Paulo, o crescimento foi de 41,6%.

Conforme o Estado antecipou nesta terça-feira, o número de roubos em São Paulo cresceu pelo 17.º mês consecutivo - desta vez, subiu 14% na comparação com o mesmo mês do ano passado. “Isso é um problema nacional”, alegou o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ao comentar os dados. 

Ao todo, foram registrados 26 mil casos de roubo no mês passado. Em outubro de 2013, eram 22,8 mil ocorrências. Já os furtos, quando o bem é levado sem o uso de violência ou de grave ameaça, caíram de 47 mil casos, no ano passado, para 42 mil neste ano - queda 10,7%. 

“A questão dos roubos é um problema de polícia que nós temos de enfrentar com outros aspectos”, disse Grella, antes de enumerar uma série de medidas que ele defende para manter presos os acusados de crimes, como a mudança nos prazos de progressão da pena para detidos em flagrante.

Para a SSP, embora os roubos continuem subindo a taxas acima de 10% em todos os meses deste ano, há algo positivo a se destacar: a redução do número de roubo de carros. Ao todo, 7.719 carros foram roubados no Estado em outubro. No mesmo mês do ano passado, foram 8.683 veículos - redução de 11,1%. Os furtos de veículos, porém, tiveram redução menor, de 1,2%. Foram de 10.845 casos em outubro de 2013 para 10.720. Na capital, o índice oscilou para cima, 0,8%.

Grella associou os índices de roubo de veículos em queda com ações de fiscalização de desmanches - 394 comércios desse tipo foram fechados no Estado desde junho, quando o governo endureceu as regras do setor e começou as ações de fiscalização. 

Assassinatos. O secretário destacou também a taxa de homicídios de São Paulo, que caiu para 10,1 casos para cada grupo de 100 mil habitantes no mês passado. “É próximo do que estabelece a ONU (Organização das Nações Unidas), dez casos, é uma das menores do Brasil”, afirmou. 

Este ano já acumula 3.560 assassinatos no Estado. Em 2013, entre os meses de janeiro e outubro, foram 3.690 - uma queda de 3,4% no acumulado de um ano para outro. Entre outubro passado e outubro de 2013, a queda foi de 1,8%.

Relações. O coronel reformado da Polícia Militar e consultor de segurança pública José Vicente afirma não ser possível comparar o crescimento do número de latrocínios registrados no Estado no mês passado com o aumento do número de roubos. “Embora o latrocínio aconteça em decorrência do roubo, é um crime imprevisível, difícil de ser prevenido”, afirmou. “As oscilações porcentuais são grandes, porque os números absolutos são pequenos. Ainda assim, a pessoa que sofre um assalto tem 99,9% de chances de escapar viva”, afirmou. 

Vicente disse, por outro lado, que o crescimento dos roubos está associado a dificuldades do governo do Estado em integrar as Polícias Civil e Militar. 

“No caso do homicídio, que está em queda, o papel de cada polícia é muito separado e elas conseguem atuar separadamente e de forma eficiente. No caso do roubo, é preciso um trabalho conjunto, de prevenção, planejamento e investigação. O delegado e o capitão do batalhão têm de cuidar das ruas em conjunto”, disse Vicente. “O governo não tem atuado para trazer essa sintonia.”

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