Celso Junior/Estadão
Celso Junior/Estadão

Largo São José do Belém é a alma do bairro

Com igreja e mesas de carteado, o lugar conserva um certo clima bucólico

O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2015 | 19h24

A praça já não é mais a mesma. A fonte luminosa não existe mais, nem árvore onde os garotos do bairro amarravam a corda para brincar pendurados - saíram de cena em um sábado de 1973. A igreja original, de 1897, também mudou muito, porque as reformas nos anos 70 apagaram parte das obras de arte originais que enfeitavam suas paredes. Mas o largo São José do Belém, testemunha das transformações do Belém, permanece simbólico para o bairro e ainda tem um certo clima de cidade do interior.

No princípio, a região era conhecida como "estância climática", recheada de chácaras onde os doentes passavam temporadas para se beneficiar da altitude e da atmosfera, melhorada pelo arvoredo e os pomares. Foi em 1878 que essa história começou a mudar. A Câmara Municipal doou o terreno na região para a construção de um santuário. No local, havia um cemitério, cujas tumbas foram transferidas para o Quarta Parada.

Quando o a igreja ficou pronta, sendo inaugurada no dia 15 de agosto de 1897, o Belém já passava por uma mudança significativa. As famílias de imigrantes, sobretudo portugueses e italianos, começavam a chegar, instalando-se perto das fábricas em que trabalhavam. Em poucos anos, o clima bucólico desapareceu. O largo resistiu.

Na praça, além da igreja, havia um cinema, o Cine São José. Como era costume na época, os rapazes paqueravam as moças no passeio público e os casais já formados se acomodavam (bem à vista de todos) nos banquinhos existentes até hoje. A calmaria só era perturbada quando os trabalhadores se reuniam na praça em manifestações por melhores condições nas fábricas.

Mesmo depois de as indústrias abandonarem o bairro, o largo permaneceu. O posto policial foi erguido de forma comunitária, no fim da década de 1990, quando os moradores fizeram uma vaquinha para sua construção. Apesar de reformulado, o local ainda é frequentado por quem quer um pouco de sossego. As mesas de carteado e dominó, instaladas em 1999, são utilizadas pelos aposentados e taxistas durante toda a semana. Passeio fundamental para quem quer conhecer o Belém.

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