Largo da Batata só fica pronto no meio de 2011

Obra que deveria ter terminado em outubro do ano passado já teve prazo estendido três vezes; de R$ 67 milhões, custo passou para R$ 100 milhões

Cristiane Bomfim, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

O Largo da Batata, que deveria estar revitalizado até o fim do ano, vai esperar mais seis meses para deixar de ser o patinho feio de Pinheiros, na zona oeste da capital. Pela terceira vez, a Prefeitura mudou o prazo do fim das obras, estendendo-o até o fim do primeiro semestre de 2011.

Assinado pelo arquiteto Tito Lívio Fracino, o projeto de reconversão urbana do Largo da Batata é de 2001. Orçada em R$ 67 milhões, a obra só começou em agosto de 2007, com conclusão prevista para outubro de 2009. Hoje, o valor da obra não sai por menos de R$ 100 milhões e o prazo, estendido para dezembro de 2010, foi novamente prorrogado, desta vez, diz o gerente de Obras da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Norberto Duran, por "problemas com desapropriação". "Alguns casos ainda estão na Justiça", explica ele. Imóveis estão sendo desapropriados para a construção de uma esplanada, que vai do Largo da Batata até o Largo de Pinheiros. Já para o aumento de 49,25% nos gastos a justificativa são os reajustes mensais da obra.

A revitalização contempla ainda novo traçado da Avenida Brigadeiro Faria Lima, calçadões com acesso controlado nas Ruas Pedro Cristi, Martim Carrasco e um trecho da Cardeal Arcoverde, além da construção de uma estação intermodal na Rua Capri, que integrará o terminal de ônibus com a estação Pinheiros da Linha Amarela do Metrô e a Linha Esmeralda da CPTM. Até o fim do ano, Duran garante que entregará a Faria Lima reconfigurada, o trecho da esplanada até a Rua Fernão Dias e o terminal de ônibus. "Todo o entorno do Largo da Batata ficará para o primeiro semestre de 2011."

No papel. Ou seja, não serão concluídas a construção do trecho da Fernão Dias, que chegará até a esquina com as Ruas Paes Leme e Teodoro Sampaio; a ligação do Largo dos Pinheiros à esplanada, além de mudanças viárias, como alargamento de vias e calçadas e a mudança no sentido de direção dos veículos até a Capri. "Algumas intervenções, como transformar a Rua Pedro Cristi (onde fica o Mercado Municipal de Pinheiros) em via para pedestres, já deveriam ter ocorrido. A construção do novo trecho da Rua Fernão Dias ainda não saiu do papel", diz Fracino, autor do projeto.

No canteiro de obras, trabalhadores dizem que prazos não serão cumpridos. "O foco agora é o terminal de ônibus. Concluiremos a reconfiguração da Faria Lima para facilitar o trânsito e o resto ficará parado", disse um funcionário da empreiteira carioca Christiani-Nielsen, que não quis ser identificado. Procurada, a empresa não comentou. "O projeto, porém, é um conjunto de medidas que dependem umas das outras para que a coisa funcione", diz Fracino.

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