Largo da Batata deve ganhar bonde

Parte dos trilhos encontrados durante obra de revitalização foi recuperada e colocada no local

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2013 | 02h08

O Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, deve ganhar um bonde. Mas ele não vai levar ninguém a lugar nenhum, já que ficará parado e servirá somente como um enfeite que remete à história da região - ponto final de antigas linhas do serviço, desativado da capital paulista em 1968.

Com as obras de revitalização da área, a Prefeitura encontrou sob o asfalto da Rua Teodoro Sampaio trechos intactos dos trilhos por onde circularam durante décadas alguns dos bondinhos paulistanos. Uma parte desse material, instalado em 1909, foi recuperada e montada na grande praça que se formou na frente da Igreja Nossa Senhora do Monte Serrat.

Agora, a São Paulo Obras (SPObras) negocia com a Secretaria Municipal dos Transportes a possibilidade de arrumar um velho bonde para colocar de enfeite sobre os trilhos, "como forma de preservar e divulgar a memória do bairro". Ainda não há data para isso ocorrer, mas a entrega das obras, iniciadas em 2007 (cuja finalização foi adiada outras vezes), agora está prometida para julho de 2014.

O técnico em máquinas elétricas Feliciano Sousa Santos, de 76 anos, que passa sempre pelo Largo da Batata, aprova a iniciativa. "É interessante, por ser tradicional, creio que ficaria bonito com o bonde." Assim como ele, o advogado Nelson da Silva, de 69 anos, também costumava andar de bondes na juventude. "Mas eu não acho que faz sentido trazer um bonde para o meio da praça. Já existe um museu para isso na Avenida Cruzeiro do Sul (na região central)."

Por sua vez, a fiscal de caixa Vânia Hollanda, de 29 anos, crê que só com um pedaço de trilhos pouca gente que passa pelo largo vai entender a intervenção. "Assim fica praticamente imperceptível. É preciso colocar um bonde de enfeite ou algum tipo de informações para as pessoas compreenderem", diz.

Previsão da obra. Uma boa parte das intervenções na região - como a remodelação e melhoria das calçadas, enterramento de redes aéreas, acessibilidade, novo sistema de drenagem, novo e moderno sistema de iluminação pública, novo paisagismo e novo pavimento das via em algumas ruas - deve terminar ainda em 2013, segundo a previsão da SPObras.

Para o próximo ano, ficam ações como alargamento da segunda parte da Rua Eugênio de Medeiros, remoção e transferência da subestação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que está dentro do Terminal de Pinheiros, criação de pista de aceleração e desaceleração na Marginal do Pinheiros adjacente ao Terminal Pinheiros de ônibus e intervenções na Rua Butantã, como enterramento das redes aéreas e obras de drenagem.

O custo de toda a intervenção é de R$ 146 milhões.

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