Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Lança-perfume 'turbinado' é vendido livremente na frente de baladas em São Paulo

Traficantes circulam por áreas movimentadas oferecendo o produto

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

18 Abril 2015 | 16h00

A forma como o lança-perfume "turbinado" vem sendo consumido, jogado diretamente na boca - e não inalado, como o produto tradicional -, pode causar a morte em poucos segundos, alertam médicos especialistas em dependência química. É dessa forma que jovens na faixa etária de 16 a 24 anos vêm fazendo o uso do lança dentro de baladas ou nas calçadas da Augusta nos fins de semana, como constatou a reportagem. 


Os jovens compram o entorpecente de traficantes que atuam nas calçadas. E esses fornecedores não ficam parados: sobem e descem a Augusta falando nomes de drogas para potenciais compradores desconhecidos. "Maconha, cocaína, lança", anunciam os jovens traficantes que circulam pela região durante toda a madrugada, alguns deles adolescentes.


Nas longas filas que se formam aos sábados nas portas de baladas conhecidas, sempre tem alguém oferecendo o lança "turbinado". Quem pede maconha ou "pino" de cocaína logo recebe a oferta do lança. O frasco pequenino, de 6 centímetros e volume de 5 milímetros, facilita a entrada nas casas noturnas, mesmo com a revista dos seguranças. 


"Tenho haxixe e lança também", oferecia um traficante a um jovem que comprava cocaína na esquina da Paulista com a Augusta, no sábado passado. No local, havia jovens que colocavam o líquido do frasco em latas de refrigerante. "Tem gente que fica chapado e resolve tomar um gole na hora que está inalando. Aí fica tudo preto", relatou um webdesigner de 25 anos, que se declarou ex-usuário do lança "turbinado". 


Funk. Antes de chegar ao circuito de baladas descoladas do centro, o lança "turbinado" já causava preocupação entre os organizadores de bailes funk. O uso abusivo do entorpecente rendeu até a campanha "Lança Mata", promovida pela Associação Rolezinho A Voz do Brasil. "É uma 'brisa' de 5 minutos que leva para o caixão", disse Darlan Mendes, de 26 anos, presidente da associação.

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