Laje de obra do governo cai, mata 1 operário e fere 11

Trabalhadores despencaram de 27 metros de altura; acidente parou construção de Fábrica de Cultura da Brasilândia, na zona norte

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h03

Um operário de 33 anos morreu e outras 11 pessoas ficaram feridas depois que a laje onde eles estavam - em uma obra da Secretaria de Estado da Cultura - desabou no começo da tarde de ontem, na Brasilândia, zona norte da capital. Três dos feridos tiveram traumatismo craniano e continuam internados. Essa obra e outra que estava sendo feita pela mesma construtora foram paralisadas até que fiquem claras as causas do acidente.

Segundo a Polícia Militar e a Defesa Civil, os 12 operários estavam trabalhando em cima da laje da futura Fábrica de Cultura de Brasilândia, por volta das 15h30, quando ela desabou. Os operários caíram de uma altura de 27 metros. O homem que morreu, de 33 anos - cuja identidade não havia sido confirmada até a conclusão dessa edição -, ficou soterrado nos escombros.

Entre os 11 feridos, cinco tiveram condições de procurar atendimento médico por conta própria e seis foram levados pelos bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para hospitais da região. Apenas os homens que tiveram traumatismo craniano, cujas idades variam entre 20 e 35 anos, continuavam internados.

O resgate dos feridos foi dificultado pela incerteza de que a estrutura que se manteve em pé era segura ou se havia risco de novos acidentes. Os bombeiros tiveram de escorar as estruturas para fazer o resgate.

Na hora, 60 operários estavam na obra e ajudaram a tirar os feridos dos escombros. Tanto agentes da Defesa Civil quanto bombeiros apontaram como possível causa do acidente uma falha no sistema de escoramento da laje, que não suportou o próprio peso e desabou. Ela teria 300 m² e ficaria acima do teatro do complexo cultural.

Chovia na hora do acidente, mas nem bombeiros nem Defesa Civil atribuem o acidente à chuva - embora digam que só o laudo da Polícia Científica é que vai determinar o motivo do desmoronamento.

O desabamento atraiu dezenas de curiosos e um helicóptero da Polícia Militar chegou a ser deslocado para a área - mas o transporte de todos os feridos foi feito por ambulância.

Vizinhos disseram não se lembrar de outros acidentes na construção, que teve início, segundo o governo do Estado, em 2009 - com prazo de entrega previsto para entre abril e maio deste ano.

Governo. O secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo (PSDB), responsável pela obra, disse que a secretaria vai encomendar ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) um laudo para esclarecer as causas do acidente.

Segundo ele, a Construtora Ubiratan, contratada pela secretaria para executar o projeto, pode ser punida com medidas que variam de multa a desabilitação, caso seja comprovada falha por parte da construtora. "Uma laje não tem problemas por nada", disse, ao afirmar estar certo de que o problema foi na execução da obra - e não falha de projeto.

Há ainda mais seis Fábricas de Cultura sendo construídas pela cidade, mas por outras construtoras. Cada uma é avaliada em cerca de R$ 12 milhões.

Crimes. A Polícia Civil registrou o caso como homicídio culposo, lesão corporal culposa (por causa dos feridos) e incolumidade pública (por causa do desmoronamento) e determinou que a Polícia Científica também produza um laudo apontando as causas do acidente - procedimento de praxe. Mas ninguém figurou como indiciado no boletim de ocorrência aberto no 72.º DP (Vila Penteado).

O caso deverá ser transferido para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

A Construtora Ubiratan foi procurada, mas a telefonista disse que nenhum dos diretores da empresa poderia falar com o Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.