Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Lago transborda e inunda Aclimação

Defeito em sistema de vertedouro durante temporal alagou ruas a até 1 km do parque

Paulo Saldaña, Márcio Pinho e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2011 | 00h00

Quase dois anos após a água no Lago do Parque da Aclimação desaparecer pelos canos, por causa de um problema no vertedouro, um novo defeito causou ontem o inverso: o lago transbordou após uma forte chuva e inundou parte do parque. Ruas do entorno também ficaram submersas. A água do lago levou peixes para a calçada, invadiu casas, quebrou muros, arrastou carros e chegou à altura da cintura dos vizinhos.

A tempestade afetou todas as regiões da cidade. O temporal começou às 16h e toda a cidade ficou em estado de atenção. Em duas horas, choveu 38,7% do volume previsto para fevereiro, segundo medição feita na Barragem da Penha, zona leste, pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Foram registrados 69 alagamentos - 30 intransitáveis.

Na Aclimação, as Ruas Maracaí, Albina Barbosa e Oscar Guanabarino ficaram intransitáveis com as águas da chuva e do lago. Os endereços ficam atrás do parque. O canal de escoamento, que impede que o lago transborde - utilizado enquanto as obras do novo vertedouro não ficam prontas -, não aguentou a pressão da chuva. A água do lago invadiu um campo, duas quadras e foi, com força, para o bairro.

Moradores contam que a rua virou um rio. "Uma grande onda veio do nada, passando por cima de tudo", contou o auxiliar administrativo Bruno Alves Batista, de 32 anos, que trabalha na Oscar Guanabarino. Ele viu quando a água quebrou o muro de uma oficina abandonada e arrastou quatro carros. "Se ficasse na rua, seria arrastado."

A administradora Aline Gellacic, de 29 anos, viu seu Ford Ka rodopiar por cerca de 15 metros e só parar no poste. "Bateu em várias partes e entrou muita água. Quero ver quem é que vai pagar."

Na mesma rua, a água invadiu a sede da Confederação Nacional de Estabelecimentos de Ensino, danificando documentos em mais de dez arquivos e computadores. "A chuva estava acabando, mas de repente a rua virou um rio", disse o funcionário Orlando Rodrigues, de 60 anos.

Na casa da aposentada Maria Olinda, de 65 anos, a água ficou na altura do peito. "Nunca aconteceu coisa parecida. Agora quem garante que o lago não vai transbordar de novo e alagar tudo aqui?", questiona Maria, que promete procurar o Ministério Público para cobrar uma atitude da Prefeitura.

"Tsunami". Destroços do muro da oficina e do canteiro de uma praça, também destruído, foram carregados a cerca de 50 metros de distância. Mas a água foi mais longe, por mais de três quarteirões. "Foi como um tsunami, vi quando a água avançou", conta o representante comercial Eduardo Viana, de 32 anos. Ele é morador do Condomínio Park Way Aclimação, a quase um quilômetro de distância, que teve a garagem alagada. "O lago veio parar aqui no prédio."

Por causa do que ocorreu em 2009, o vertedouro continua em reforma. "Se a obra estivesse pronta, com certeza não teria havido esse transbordamento", disse um dos integrantes do conselho gestor do parque, Márcio Amorim, de 55 anos. A casa dele, na Rua Maracaí, também foi invadida pela água.

A Prefeitura nega, porém, que o lago tenha transbordado. Segundo sua assessoria de imprensa, foi o canal de escoamento que provavelmente transbordou, em razão da chuva.

CRONOLOGIA

Vertedouro cedeu em 2009

23 de fevereiro de 2009

Rompimento

Volume de água causado pela chuva forte rompe o vertedouro do Lago da Aclimação. Em menos de uma hora, cerca de 78 milhões de litros de água foram drenados, arrastando peixes e aves. A área de 34 mil metros quadrados de superfície se transformou em um lamaçal.

26 de fevereiro de 2009

Vazamento

Uma nova chuva passa pelo sistema hidráulico e a lama e os peixes mortos que estavam acumulados nas galerias são empurrados, sobem pelos bueiros e invadem pelo menos três ruas ao redor do parque.

12 de março de 2009

Recuperação

Depois de dias chuvosos, lago fica praticamente cheio novamente.

8 de junho de 2010

Limpeza

A Prefeitura começa a retirada o lodo do lago, pedido antigo dos moradores. O lodo é levado para estação de tratamento de esgoto no ABC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.