GCM São Roque
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Ladrões saqueiam trilhos de ramal ferroviário histórico em São Roque

Os suspeitos do furto e vandalismo fugiram à chegada dos agentes, mas um caminhão carregado com 145 pedaços de trilhos foi apreendido no local

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2019 | 23h51

SOROCABA – Guardas municipais flagraram um grupo de pessoas cortando e saqueando os trilhos de um ramal ferroviário da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), no início da noite desta quarta-feira, 10, em São Roque, interior de São Paulo. Os suspeitos do furto e vandalismo fugiram à chegada dos agentes, mas um caminhão carregado com 145 pedaços de trilhos foi apreendido no local.

Outras partes dos trilhos foram arrancadas, mas os ladrões não tiveram tempo de colocar sobre o caminhão. O material apreendido foi levado à delegacia da Polícia Civil de São Roque. Um inquérito vai apurar os danos ao patrimônio e a tentativa de furto.

Os estragos atingiram cerca de dois quilômetros de linha férrea, no distrito de São João Novo, considerada histórica pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABDF). Conforme o site Estações Ferroviárias do Brasil, referência em patrimônio ferroviário, a linha fazia parte do serviço de trens de subúrbio inaugurado em 1928 pela EFS. Trens de passageiros teriam operado no trecho até o final de 1998. Em 1971, o ramal foi assumido pela Fepasa e, em 1994, pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A Guarda Municipal foi acionada por frequentadores de um pesqueiro que ouviram o barulho de serras e marretadas. O caminhão com os trilhos, com placas de Ibiúna, foi apreendido. O proprietário será intimado para prestar esclarecimentos. Um aparelho de solda também foi apreendido no local. A Polícia Civil realizou perícia no trecho afetado da ferrovia. A empresa Rumo, concessionária da malha ferroviária, informou que o trecho desativado está sob a responsabilidade da CPTM.

A assessoria da CPTM informou que o trecho foi transferido, através de convênio, para a Rumo e que não houve devolução formal à companhia de trens metropolitanos. Uma das exigências do contrato, segundo a CPTM, é que a ferrovia seja devolvida nas mesmas condições em que foi recebida, ou seja, com os trilhos em condições adequadas de uso. 

Em fevereiro do ano passado, dois homens foram presos em Limeira, após serem flagrados com um caminhão carregado com trilhos retirados da ferrovia que corta a cidade. Um mês antes, dois homens foram presos depois de furtar os trilhos de uma linha férrea na zona rural de Pitangueiras, também no interior paulista.

De acordo com o presidente da ABDF, Bruno Crivellari Sanches, os saques e depredações são os maiores problemas enfrentados pelo patrimônio ferroviário em São Paulo e no Brasil. “Com a redução do transporte ferroviário, muitas estradas de ferro ficaram no limbo e, sem qualquer fiscalização, foram saqueadas, quando não foram invadidas e ocupadas”, disse.

Segundo ele, a associação tem atuado para recuperar e instalar trens turísticos em linhas desativadas que tenham algum apelo cultural ou histórico. “Com isso, temos conseguido salvar parte da memória ferroviária.” Ele conta que, na antiga Estrada de Ferro Sul Mineira, que ligava a cidade de Cruzeiro, em São Paulo, à mineira Três Corações, ao menos 80 quilômetros de trilhos foram saqueados. “O que sobrou é a parte que estamos usando para o trem turístico da Mantiqueira”, disse.

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