Ladrões levaram volume raro de botânica por engano

Bandidos roubaram o 'Flora Fluminensis' no lugar do 'Flora Brasiliensis'; polícia já tem retrato falado

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h05

Imagens do circuito interno de vigilância e dois retratos falados são as primeiras pistas que a polícia tem para chegar aos responsáveis pelo roubo de 15 volumes de livros do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo. O assalto aconteceu na quinta-feira à tarde e é investigado pela 3.ª Delegacia do Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Em 12 de julho, o delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal no Rio de Janeiro, informou à diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi, que uma escuta flagrou presos determinando o roubo de Sertum Palmarum, tomos 1 e 2, de Barbosa Rodrigues (1903-06), Florae Chilensis et Peruvian (obra do século 18) e três volumes do Flora Brasiliensis. O Flora Fluminensis foi levado na quinta possivelmente por engano - confundiram com o Flora Brasiliensis.

American Birds, de Alexander Wilson (1802), Atlas da Guyana Francesa e Brazilian Birds, de John Gould (1830-40), são outros três livros na mira dos criminosos, porém não foi informado pela Polícia Federal onde se encontram.

Em 27 de julho, foram sugeridas pela responsável pela biblioteca, Maria Helena Gallo, melhorias no sistema de segurança, como instalação de câmeras, cortinas, sensores de presença e um vigia no saguão - no momento do crime, não havia ninguém lá.

Investigação. Seis pessoas foram ouvidas ontem e descreveram os criminosos. Um dos ladrões, que fez a primeira abordagem, desarmado, é apontado como sendo louro, entre 22 e 25 anos, olhos claros, magro, e cerca de 1,67 metro. O outro é pardo, tem olhos pretos, cerca de 1,77 metro e entre 35 e 40 anos. Das seis câmeras instaladas no local, apenas duas conseguiram flagrar a ação dos dois bandidos.

O terceiro criminoso ficou dentro do carro, um Focus Prata. Chama a atenção nos vídeos a facilidade como eles chegaram até a biblioteca. Não tiveram placa do carro nem nome anotados. Na saída, renderam facilmente dois vigias, e ainda levaram os revólveres deles. Não usaram violência física para isso, apenas pressão psicológica.

Para o delegado responsável pelo caso, Fábio Bolzani, não há dúvida de que foi um crime encomendado. "Já acionamos diversos órgãos públicos para que auxiliem na localização."

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