Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Ladrões jogam refém no Rio Pinheiros

Estudante conseguiu se salvar após ser vítima de sequestro relâmpago e ficar 5 horas em poder de dupla que o abordou em Itapecerica

Fabiano Nunes, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2011 | 00h00

Um estudante de Direito de 28 anos foi jogado nu no Rio Pinheiros, por volta das 6 horas de ontem, após ter sido mantido refém por cerca de cinco horas por dois criminosos em um sequestro relâmpago. De acordo com sua família, que pediu que ele não seja identificado, a abordagem foi feita por dois homens, quando o rapaz chegava em seu apartamento, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, na noite de anteontem.

Policiais contaram que um dos bandidos estava em uma moto e o outro dirigia um Fiat Siena. O estudante foi colocado no banco de trás de seu carro, um Gol Power vermelho, e mantido refém pelos criminosos. O boletim de ocorrência não traz informação sobre o destino dos veículos usados pelos assaltantes.

Ainda segundo a polícia, o jovem foi espancado e agredido com coronhadas na cabeça. Por estar com pouco dinheiro e sem cartões de banco, os bandidos teriam decidido tirar toda a roupa do estudante e atirá-lo no Rio Pinheiros, próximo do Parque Burle Marx, no Morumbi, zona sul da capital. Horas depois, o carro da vítima foi encontrado - intacto - no estacionamento de um supermercado no bairro.

O rapaz precisou nadar até a margem e procurou por socorro. Ele foi encontrado por uma viatura da Polícia Militar, que o levou até o Hospital do Campo Limpo, na zona sul. Ele passou por exames durante o dia de ontem e permanece internado. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, os médicos precisam analisar o resultado de uma tomografia. O estudante está consciente e recebeu a visita dos familiares. Não há previsão de alta.

"Ele foi ameaçado e agredido durante todo o sequestro", afirmou o pai da vítima durante visita ao filho no hospital.

Outra versão. À tarde, após conversarem com o estudante, suas irmãs, que não quiseram identificar-se, deram uma versão diferente da que foi registrada no boletim de ocorrência. Segundo elas, o irmão tinha, sim, dinheiro e o entregou aos bandidos. "Ele tinha uma quantia pequena, de cerca de R$ 500, mas os criminosos queriam mais. Por isso, ele foi agredido", disse uma de suas irmãs.

Creche. Segundo familiares, o rapaz está muito assustado. "Meu irmão é um cara do bem, não estava sofrendo nenhum tipo de ameaça", afirmou a irmã.

Parentes contaram que o estudante trabalha em um escritório de advocacia e é também proprietário de uma creche, em sociedade com a namorada.

O caso foi registrado como extorsão no 34.º Distrito Policial (Vila Sônia). Até a noite de ontem, nenhum suspeito havia sido preso, segundo a polícia.

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