Ladrões invadem hotel de luxo no Rio

15 turistas brasileiros, espanhóis, americanos e holandeses foram assaltados em Santa Teresa; suspeita-se da ação de um ex-funcionário

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2011 | 00h00

A Polícia Civil investiga a participação de um ex-funcionário do Hotel Santa Teresa, no centro do Rio, no assalto a 15 turistas - brasileiros, espanhóis, americanos e holandeses - na madrugada de ontem. Quatro homens armados invadiram o hotel de luxo, cujas diárias variam entre R$ 835 e R$ 3.080, às 3h20 e levaram joias, dinheiro, computadores, celulares e um carro.

O porteiro do prédio ao lado, que pediu para não ser identificado, viu toda a movimentação dos criminosos. Segundo ele, enquanto quatro pularam o muro, um quinto suspeito ficou aguardando na frente do hotel, fingindo que falava ao celular. "Ouvimos as vítimas e funcionários do hotel. Sabemos de quatro criminosos que entraram, mas não podemos descartar hipóteses. Se há um quinto elemento, isso será apurado", disse a titular da Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat), Renata Teixeira. Segundo a delegada, ninguém ficou ferido na ação.

Depois de roubar os turistas, os criminosos tomaram o carro de um funcionário do hotel e fugiram. Toda a ação durou cerca de 1h30. Os assaltantes cortaram os fios de algumas câmeras de vigilância - o estabelecimento conta com 48 -, mas ainda assim foram flagrados pelas imagens, de acordo com a delegada. Somente um deles não estava encapuzado. Um retrato falado dele foi divulgado no início da noite de ontem.

A delegada também não descartou a informação divulgada pelo comandante do 5.º BPM (Praça da Harmonia), coronel Edilson de Moraes Filho, de que um ex-funcionário estaria entre os criminosos. Segundo o PM, apesar de estar com o rosto tapado, o suspeito teria sido reconhecido pelo porte físico por integrantes da equipe do hotel. Funcionários contaram que a forma como os assaltantes agiram, bem direcionada, só poderia ter sido planejada por alguém que conhecia bem o local. A Assessoria de Imprensa do Santa Teresa, porém, negou a informação.

Já a assessoria da Nike confirmou que funcionários da empresa estavam entre as vítimas. A Polícia Civil não divulgou informações sobre as vítimas, "para preservá-las".

Para o presidente da seção fluminense da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, o assalto acendeu um "sinal amarelo" na rede hoteleira carioca. "Temia que todo o esforço para garantir a segurança no Rio pudesse sofrer um retrocesso, mas acho que a polícia foi rápida no atendimento às vítimas. Agora temos de nos unir para dar apoio a essas pessoas, algumas tiveram até os passaportes roubados", disse Lopes. Todas as vítimas deixaram ontem o hotel.

Hospital. O assalto, em uma região pacificada, também levou o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, a pedir ao comando da Polícia Militar um reforço no policiamento do bairro da capital. "O antigo Hospital Quarto Centenário, cedido pela prefeitura, será usado como sede de algumas unidades da Polícia Militar, incluindo uma Companhia Destacada de Policiamento." /COLABOROU PEDRO DANTAS

 

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