Ladrões fazem empresária do Morumbi levar bomba a joalheria na Oscar Freire

Mulher foi sequestrada quando buscava filhos na escola; bando monitorou seus passos por telefone e depois recolheu sacola com joias

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h02

A Rua Oscar Freire, nos Jardins, zona sul de São Paulo, parou ontem por causa de um assalto a uma joalheria quase na esquina com a Rua Haddock Lobo. Uma empresária que havia sido feita refém no Morumbi, e acreditava ter explosivos amarrados ao corpo, foi obrigada por bandidos a entrar na loja para roubar joias. Os criminosos monitoraram a ação por telefone. Um integrante da quadrilha levou a sacola com os objetos roubados e fugiu. Ninguém foi preso.

A ação aconteceu por volta das 13 horas. No momento do assalto, havia quatro funcionários e dois clientes na joalheria.

A empresária Márcia Pellegrini, de 31 anos, foi capturada quando ia buscar os filhos na escola. Segundo ela, dois homens fecharam seu carro, um Volkswagen Jetta, entraram no veículo e a forçaram a vestir um cinto que teria explosivos. Durante o trajeto, eles a orientaram a entregar uma caixa de sapatos com mais explosivos para os vendedores da joalheria. A empresária foi abordada às 11 horas e circulou pela cidade com os bandidos até as 13h.

Segundo a polícia, outros dois carros acompanharam o Jetta. De acordo com a vítima, o grupo era formado por oito pessoas. Ela não chegou a ver nenhum deles armado.

Márcia foi orientada a dar o número de seu celular aos criminosos e foi deixada a alguns metros da entrada da joalheria Guerreiro. Assim que entrou na loja, o telefone tocou e os criminosos a mandaram passar o aparelho para um dos vendedores. Segundo a gerente da loja, Lilian Gomes de Almeida, de 36 anos, Márcia estava assustada e disse que seria morta caso elas não a ajudassem. As vendedoras obedeceram e entregaram peças de ouro, que foram colocadas em uma sacola.

A ação durou menos de cinco minutos. Ao sair da joalheria, a empresária foi até a Rua Haddock Lobo, onde um integrante da quadrilha a abordou, pegou a sacola e disse para ela continuar colaborando. Depois disso, ela ficou mais três minutos imóvel, com medo de uma explosão. Só depois que um dos criminosos disse por telefone que a bomba estava desarmada é que ela gritou e pediu socorro.

Confusão. A PM foi chamada e acionou a equipe antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Tanto a caixa que havia sido deixada na loja quanto o dispositivo que Márcia tinha na cintura foram detonados. Por causa do bloqueio, o trânsito da Haddock Lobo chegou à Avenida Paulista.

O roubo fez com que as demais lojas da rua ficassem vazias na tarde ontem. "É um perigo! Eles estão nos roubando com bombas agora. Imagina se isso explode. Um horror", disse a comerciante Lúcia Agostino, de 27 anos. O delegado Rogério de Camargo, do 78.º Distrito Policial, disse que somente a bomba deixada na loja tinha pólvora. Até o começo da noite de ontem, a polícia não tinha divulgado pistas sobre o grupo.

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