Ladrões da Protege enterram R$ 2,4 mi

Dinheiro estava a 1,5 metro de profundidade do chão de uma casa alugada no Jaraguá; até agora, só um supervisor da empresa foi preso

GIO MENDES, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2011 | 03h04

Uma casa alugada no Jaraguá, zona norte de São Paulo, escondia parte do dinheiro roubado da sede da empresa de transporte de valores Protege na Água Branca, zona oeste. Em um dos cômodos, estavam enterrados R$ 2,4 milhões. A apreensão do dinheiro ocorreu na sexta-feira, mas só foi divulgada ontem pela Polícia Civil, exatamente um mês depois que três ladrões vestidos de seguranças roubaram carro-forte com R$ 22 milhões.

De acordo com o delegado Wuppslander Ferreira Neto, da Delegacia de Repressão a Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), a polícia descobriu a casa após a prisão do supervisor de segurança da Protege, Rogério Luiz Fernandes, de 32 anos, acusado de facilitar a entrada dos assaltantes na empresa. O Deic não divulgou o endereço da residência, pois ainda vai tentar identificar quem a alugou dias depois do assalto.

O dinheiro foi enterrado a um metro e meio de profundidade do chão. Policiais usaram marretas para quebrar o piso que havia sido colocado sobre o buraco aberto.

Os R$ 2,4 milhões estavam enrolados em cobertores e sacos plásticos. Representantes da Protege acompanharam a operação do Deic e fizeram a contagem do dinheiro. Nenhum suspeito foi preso no dia. A casa usada como esconderijo estava em reforma e não tinha móveis.

Até agora, a polícia prendeu apenas o supervisor de segurança da Protege. Segundo o delegado do Deic, outros cinco acusados de participar do assalto já foram identificados, mas seus nomes são mantidos em sigilo. "Para nós, o caso está esclarecido. Só falta prender o restante da quadrilha e localizar todo o dinheiro roubado", afirma Ferreira Neto. A polícia acredita que 15 ladrões tenham participado do assalto.

O supervisor de segurança foi preso no dia 9, após o Deic descobrir indícios de seu envolvimento no roubo. No dia do assalto, Fernandes alegou que havia sido sequestrado ao sair de casa e teria facilitado a entrada dos ladrões porque eles teriam ameaçado matar sua família.

Mas, segundo a polícia, o supervisor fez os três crachás usados pelos assaltantes que entraram na empresa. Fernandes também desligou os alarmes e as câmeras de segurança da Protege pouco antes da ação dos ladrões.

Semelhanças. Como Fernandes trabalhava na Protege havia cinco anos, a Polícia Civil também vai investigar o envolvimento dele em outro assalto ocorrido na sede da empresa, em 31 de março do ano passado. Na ocasião, três assaltantes entraram uniformizados, renderam funcionários e roubaram um carro-forte. O veículo foi levado até a Rua Luís Gatti, onde os malotes de dinheiro foram transferidos para os carros dos assaltantes, da mesma maneira como ocorreu no dia 16 de outubro.

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