Ladrões atacam atleta do remo que ia treinar na USP

Remadora Bianca Miarka foi abordada por dois homens que estavam em uma moto e agredida ao desarmar um dos criminosos

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2014 | 03h00

A atleta olímpica de remo Bianca Miarka, de 32 anos, foi espancada, na manhã de ontem, por dois assaltantes quando se preparava para treinar na raia da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital. Ela disse ter sido agredida após desarmar um dos criminosos. O comparsa iniciou a agressão com seu capacete. A dupla fugiu.

Bianca havia ido à universidade de ônibus e desceu no portão 3 para caminhar até a raia. Ela seguia, por volta das 6h40, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, quando a dupla, em uma moto azul, parou ao seu lado e anunciou o assalto.

"O jovem que estava na garupa estendeu uma arma e disse a famosa frase 'passa a mochila'", disse a atleta, nascida na Alemanha e naturalizada brasileira para disputar os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, há três anos.

"Calmamente, perguntei se eu poderia retirar um documento", contou. Diante da negativa, Bianca disse ter notado "sinais de alteração psicológica" no rapaz armado. “Nesse instante, percebi que minha vida poderia estar em jogo e rapidamente retirei a arma do bandido."

O outro assaltante, entretanto, partiu para cima de Bianca e a atingiu com o capacete. Ela foi ferida na testa e começou a sangrar. "Os infratores continuaram batendo em mim, mesmo após pegar os meus pertences e acredito que só tenham fugido após verem os sangramentos no rosto e na cabeça", afirmou. Eles escaparam antes da chegada de ajuda à atleta.

Insegurança. Bianca contou que chegou a São Paulo na semana passada - ela é atleta do Botafogo, no Rio - e havia sido informada sobre uma morte na USP. "Naquele momento pensei 'a USP não é mais segura como antigamente'", disse, antes de dizer que se sentia "a bola da vez" dos assaltantes.

Na mochila, Bianca tinha documentos e o telefone celular. Ela passou o dia de ontem tentando providenciar a segunda via dos papéis e registrando o caso na polícia. "Hoje (ontem), estou com diversos hematomas e machucados pelo corpo, não pude competir na final do brasileiro em razão das lesões", contou a atleta.

Indignação. Com as dores, ela se mostrou indignada com a insegurança ao redor do câmpus da universidade. "Eu tive a sorte de ter praticado por 25 anos esportes de combates, o que serviu para minha autodefesa. Mas quantos jovens e mulheres serão encontrados mortos ou espancados no futuro por falta de segurança?"

Antes de se dedicar ao remo, Bianca foi judoca - chegou a ser reserva da seleção olímpica e treinou no esporte de luta. Ela concluiu doutorado em Educação Física também pela USP.

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