Ladrões a 140 km/h matam 2 mulheres

Perseguidos pela política em carro roubado, eles bateram no carro das vítimas. Com impacto, bebê de uma delas voou pela janela

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Duas mulheres morreram anteontem à noite em Guarulhos, na Grande São Paulo, após o carro em que estavam ser atingido por um Honda Civic a 140 km/h. O veículo havia sido roubado e estava sendo perseguido pela polícia. O impacto da batida fez um bebê de 9 meses, filho de uma das vítimas, ser arremessado pela janela do carro. Ele ficou ferido, mas passa bem. Um suspeito morreu e dois foram detidos.

A ocorrência começou na zona norte de São Paulo. Eram 18h, quando uma empresária de 44 anos teve o Civic roubado na Rua Joaquina Ramalho, na Vila Guilherme. Ela disse que foi cercada por três garotos armados. No momento, o neto dela estava no veículo. Ela conseguiu retirar a criança do Civic e saiu correndo, com medo de que os assaltantes a obrigassem a dirigir o carro.

Horas depois, às 23h, já em Guarulhos, a PM suspeitou de três adolescentes em um carro de luxo na Avenida Emílio Ribas. Depois de pesquisar a placa, os policiais verificaram que se tratava de um veículo roubado e começaram a perseguir o Civic. Mais de três viaturas participaram da ação.

Na fuga, os suspeitos entraram na Avenida Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, na Vila Augusta. Naquela hora, passavam pelo local, em um Voyage, a propagandista Rafaela Francisconi, de 27 anos, o filho dela, de 9 meses, e a sua cunhada, Natália Broglio Murillo, de 23. Elas haviam acabado de sair de uma igreja. O carro das jovens foi atingido pelo Civic e capotou.

Natália morreu no local e Rafaela foi levada ao Hospital Padre Bento, mas não resistiu. Também socorrido, o bebê passou por uma série de exames. Ele sofreu ferimentos leves e não corre risco de morte.

Detidos. Um adolescente de 15 anos, suspeito de participar do roubo do carro, morreu no local. Ele estava no Civic. Outros dois garotos, de 12 e 15 anos, foram apreendidos. Eles foram reconhecidos pela empresária dona do carro roubado.

O adolescente de 15 anos negou ter participado do roubo e afirmou à polícia que foi convidado por amigos para um passeio de carro. O outro disse que não tinha envolvimento com o caso. Um deles ficou à disposição da Justiça e outro foi levado para a Fundação Casa, antiga Febem.

O major Marcel Soffner, porta-voz da PM, disse que a perseguição não faz parte da doutrina da corporação. O que ocorre nesses casos é o chamado acompanhamento e tentativa de cerco. De acordo com o oficial, no acompanhamento são passadas coordenadas via rádio para possibilitar o apoio de outras viaturas. Segundo ele, uma sindicância vai avaliar a conduta dos policiais.

Perfil. Segundo amigos e parentes das vítimas, as duas jovens eram muito unidas. Elas faziam uma série de planos para o futuro. Rafaela organizava a festa de um ano do bebê e trabalhava em uma empresa de medicamentos havia dez anos. Natália ia se casar em novembro com o irmão de Rafaela, que estava fora do País e voltou ontem.

O representante comercial Flávio Cicarelli, de 34 anos, trabalhava com Natália havia dez anos. "Ela era muito carinhosa e amiga com todos. Entrou na empresa ainda como estagiária", disse. "Foi uma fatalidade. O difícil é que a gente sabe que eles ficam presos e depois saem."

"A violência atualmente está muito diferente. É muita agressividade. Elas só voltavam para casa", disse Ronald Vernier, de 41 anos, um dos chefes de Natália. As vítimas serão enterradas hoje no Cemitério Memorial, às 9h, em Guarulhos.

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