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Ladrão se arrepende e devolve sino

Em bilhete ao padre, ele escreveu que ''a fé faz as coisas impossíveis se tornarem possíveis''

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 00h00

Para os religiosos da Igreja Matriz de Santo Antônio do Pinhal, no Vale do Paraíba, não há a menor dúvida: a cidade está diante de dois "milagres". O primeiro é a volta, anteontem, do sino da igreja furtado há seis dias. O segundo é a devoção do ladrão, que se arrependeu do crime e mandou um bilhete ao pároco. Afirmando ser devoto de Santo Antônio, ele diz que "a fé faz as coisas impossíveis se tornarem possíveis".

A fé a que o criminoso se refere foi a decisão de devolver o adereço intacto. Na tarde de quarta-feira, a peça foi deixada na beira da Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), em Taubaté. No mesmo local, havia um bilhete dobrado, endereçado ao padre Pedro Alves dos Santos. "Eu o perdoo", disse o religioso, que ao rever o sino caiu em lágrimas.

Para Francisco Gabriel Marcos, gerente de iniciativas da igreja há exatos 19 anos, bastou ter fé. "Foi uma alegria grande, comovente. Houve um milagre de Deus e de Santo Antônio." Segundo ele, a maneira como tudo aconteceu não era esperada. "A gente até imaginou que um dia o sino poderia voltar. Mas esse homem (o ladrão) se converteu. Temos de perdoá-lo", disse.

Sem perdão. Mas para a polícia não é bem assim. O delegado Marcos Rogério Machado, de Taubaté, afirmou que o criminoso pode ser pego a qualquer momento e, se for detido, responderá por furto. Na mesma ocasião do furto do sino de Santo Antônio, outros três foram levados por criminosos de templos da mesma região. Viraram alvos igrejas de São Luís do Paraitinga, de Natividade da Serra e do bairro Paiol, na zona rural de Taubaté. "Para nós é a mesma quadrilha. Em 15 dias, quatro sinos furtados não é uma coisa comum."

Volta das badaladas

O carrilhão de 61 sinos de bronze da Catedral da Sé de São Paulo, inaugurado em 1958, voltou ontem a tocar, após cinco anos em silêncio e restauração de R$ 80 mil

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